Little Fires Everywhere

Os livros de Celeste Ng me encantaram logo nas primeiras páginas. Não são leituras fáceis e isso me levou a ter uma relação ambígua com sua obra. É ótima, mas não é para qualquer momento. Seus dois livros tiveram os direitos vendidos para adaptação e “Little Fires Everywhere” é o primeiro a chegar às telas.

Pequenos Incêndios” foi transformado em série pelo serviço de streaming Hulu, aqui no Brasil ele está disponível pelo “>Prime Video, e tem como protagonistas Reese Witherspoon como Elena e Kerry Washington como Mia. Eu demorei um pouco para começar a ver os 8 episódios, a quarentena pedia de mim coisas mais leves, mas depois de dois meses em casa já estava mais do que na hora de encarar essa adaptação.

Na transposição das páginas para a tela a história deu mais camadas para os personagens e ao mesmo tempo escanteou um dos temas que, para mim, era dos principais: o que as mães fazem por seus filhos. Ao ler o livro fiz mais conexões com a novela “Amor de Mãe” do que gostaria de admitir. Ao ver a série as conexões são bem outras, a maternidade está lá, mas ali é mais sobre escolhas, aparências e menos sobre maternidade, nas telas o espectro de temas se ampliou e tornou a história mais densa.

Assisti toda a primeira temporada em uma maratona, nessa forma de assistir, tão comum nos nossos dias, a obra se parece mais com um filme com intermission do que com uma série. É uma mudança na forma de assistir e de pensar as adaptações. Assistir como um filme muito longo muda um pouco a análise. Os momentos mais lentos, em que a história caminha pouco, as “barrigas” nos episódios tem efeito diferente no espectador. Acredito que como série, com pausas de uma semana entre os episódios “Little Fires” é péssima, lenta, não prende o espectador, faltam bons ganchos que façam com que você volte para o episódio seguinte. Como um filme mais longo funciona, a historia vai desvendando as camadas aos poucos, os personagens vão mostrando sua complexidade aos poucos, os conflitos vão sendo cozidos em fogo brando.

Reese Witherspoon, que anda se notorizando por escolher e produzir filmes e séries com ótimos personagens femininos, começa a série com uma interpretação que mais parece uma cola de sua Medeleine de “Big Little Lies” do que de uma Elena. A coisa vai melhorando ao longos dos capítulos e nos conflitos finais ela mostra que encontrou a voz da personagem. Kerry Washington mostra que toda a canastrice que mostra em “Scandal” não é por causa da loucura da série, essa é mesmo a sua forma de interpretação. A Mia de Kerry é constante ao longo da série, cheia de trejeitos que são da atriz e não do personagem, e com caras e bocas que  estão presentes em todos os personagens vividos por Kerry. Nos conflitos entre Mia e Elena, Mia pode ter os melhores argumentos, mas o brilho é todo de Elena.

O Hulu diz que essa é apenas uma primeira temporada da série. O capitulo final deixa mesmo uma série de possibilidades para diversos personagens. Como a criadora deles todos, Celeste Ng, está envolvida no projeto  fico aguardando o que vem por aí, vai demorar, a pandemia está aí para atrasar gravações e projetos. Teremos que esperar.

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