Livro X Filme

Passei a semana toda pensando no que escrever na minha coluna de hoje, o problema que essa semana só há um pensamento em mim: OSCAR, a premiação máxima de Hollywood. Mas aqui é um blog literário, né? Então, comecei a pensar em adaptações, principalmente porque vi A Lei da Noite, filme adaptado e dirigido por Ben Affleck, baseado no livro de mesmo título de Dennis Lehane. O filme é fraco e me restou a dúvida se é isso mesmo ou o livro que é fraco também. Penso muito sobre isso quando vejo adaptações que acho confusas ou fracas, se o livro já não é assim ou se quem o transportou para a tela teve problemas em dar destaque para os pontos fortes.

Sempre digo que o maior problema de adaptações cinematográficas é que elas são feitas por outro leitor. A pessoa que escreve o roteiro normalmente tem uma visão um pouco diferente da nossa, então ela passa a percepção dela para o filme, daí situações que achamos importantes numa história, às vezes não funcionam num filme. Muito comum isso acontecer. Porém, há adaptações que mesmo que você não tenha lido o livro, percebe que alguma coisa está errada, ou o livro é muito ruim ou o diretor/roteirista decidiu tomar a história pra si e mudar tudo, usando apenas o argumento principal para fazer o filme, vide Tim Burton e O Lar das Crianças Peculiares ou até mesmo Peter Jackson e O Hobbit.

Com tudo isso na cabeça, eis que surge uma treta no twitter entre o Stephen King e o site da produtora Blumhouse, que fez uma lista com os cinco melhores filmes baseados em livros do autor. No twitter da produtora vem a pergunta: “Quais seus cinco filmes favoritos de Stephen King?” e ilustrando, uma foto do filme O Iluminado. Ao que um King bem enfático retruca: “Esse não”. Essa resposta curta e grossa do Stephen King me fez pensar mais ainda nessa relação entre livro e filme, porque mais do que isso, mais do que irritar os leitores e fãs da obra, o filme pode irritar muito quem a escreveu. Esse é um exemplo bem forte de um diretor, Stanley Kubrick, que pegou uma obra e a transformou da sua forma. Há mais de 30 anos que a versão de Kubrick atormenta King. Afinal não há quem não reconheça que ele está não apenas entre as melhores adaptações de um livro do King, como é um dos grandes filmes de terror já feito. Assim como o livro também é um dos melhores livros de terror já escrito. Complicadíssima essa situação e ela acontece porque lá na década de 1980 os estúdios compravam os direitos dos livros e tinham bem pouca preocupação de ser fiel. Por isso há tantas adaptações horrorosas por aí de livros ótimos, principalmente algumas feitas naquela época.

Felizmente o fã ganhou voz, os estúdios pararam para ouvir o que eles tinham a dizer, pelo menos a maioria que queria ganhar dinheiro com franquias milionárias (Harry Potter, Senhor dos Anéis, etc.) e os autores passaram a colaborar nos roteiros. Voltando ao Oscar, esse ano mesmo há excelentes adaptações concorrendo, entre elas A Chegada, Estrelas Além do Tempo e Lion. O relacionamento entre o cinema e os livros é antigo e conturbado há muitos anos, mas mesmo assim um dos meus favoritos. Nada é mais satisfatório do que ver personagens que você amou, em sua imaginação, enquanto lia uma história, ganharem vida na tela do cinema. Mesmo que não seja exatamente como imaginamos, sempre é um belo presente.

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