Livros musicais

Nada é mais complicado do que escrever uma coluna em plena a Bienal. Toda a nossa energia está focada lá no Riocentro e seus três pavilhões de livros, eventos, bate-papos e autógrafos. Não dá nem para falar sobre o nosso evento lá uma vez que a coluna está sendo escrita antes dele acontecer. Fiquei pensando um monte, olhei meus alfarrábios, minhas pilhas de livro e acabei encontrando inspiração no meu ipod mesmo.

Leio muita não ficção e livros sobre música ocupam algumas estantes na minha não tão pequena biblioteca particular. Seja a biografia proibida de Roberto Carlos ou a trilogia “Quem foi que inventou o Brasil?” eu leio muito sobre música, música brasileira especificamente. Por coincidência essas leituras começaram com o livro “Tropicália” que comprei em uma Bienal quando adolescente. Eu tentava entender, com os meus ouvidos pós bossa nova e Brock, porque aquele movimento feito nos anos 1970 era tão revolucionário. Tenho que dizer que entendi parcialmente, comecei a ouvir muito mais Gal Costa e nasceu em mim essa coisa de ler sobre música nacional.

Tenho todo uma curiosidade acadêmica sobre os anos de ditadura militar e por isso minhas leituras sobre música rondam muito esse período. O meu preferido é “A Era dos Festivais: uma parábola”, foi dos livros que li em uma sentada e depois reli algumas vezes acompanhada por uma maravilhosa trilha sonora que descobri ou redescobri naquelas páginas. Como fã de Chico Buarque li vários livros sobre sua obra e suas músicas na ditadura, não são leituras ótimas, são mais fãs mesmo.

Meu gosto musical é um tanto quanto peculiar e essas leituras acompanham isso, com isso li “Minhas duas Estrelas” que conta o relacionamento super conturbado entre Herivelto Martins e Dalva de Oliveira. A batalha musical entre os dois é dessas que dão filme, chegou a virar uma boa série na Globo, mas nada se compara ao livro. Dentro do meu enorme apreço pela era do rádio li várias biografias ou relatos de época sobre o período, recomendo muito o “Noite do Meu Bem” que fala da noite em Copacabana nos anos de 1950 e a biografia de Dolores Duran, esse ultimo só porque eu sou fã dela e acho que todo mundo deveria conhecer melhor a sua obra cheia de dor de cotovelo e músicas maravilhosas como “Banca do Distinto”.

Estou em um momento muito samba, li a biografia da Clara Nunes, muito boa, e estou me deliciando com “Uma História do Samba”, a primeira parte de uma série do Lira Neto que pretende contar toda a evolução do samba. O livro é maravilhoso e, mesmo não tendo terminado ainda, recomendo bastante, contarei aqui tudo sobre ele em um post futuro.

Essa coluna me deu vontade de montar uma nova playlist e sair por aí cantando a plenos pulmões com um fone no ouvido (tenho fascínio por pessoas com headfone que cantam alto na rua)

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