No Teu Deserto

Sabe aqueles livros fininhos que te tocam mais do que muito tijolão de mil páginas? “No Teu Deserto” do Miguel Sousa Tavares é desses. São menos de 150 páginas de lembranças de um romance durante uma viagem de quatro semanas pelo deserto do Saara. Um livro delicado e um tanto quanto melancólico.

O jornalista narrador não tem nome e está a contar as lembranças de uma viagem ocorrida 20 antes. Uma viagem de trabalho de descoberta pelo deserto do Saara em que dividia o jipe com Cláudia, uma mulher bem mais nova, e com quem desenvolve uma relação amorosa, não necessariamente um romance. As lembranças nos remetem a algo mais profundo do que um pequeno envolvimento durante uma breve viagem, talvez algo que apenas a vastidão do deserto possa proporcionar.

O livro me envolveu com toda a melancolia que está no texto, Cláudia está morta e isso é dito logo nas primeiras páginas, e todas as lembranças, mesmo as contadas em primeira pessoa por ela, são carregadas de uma inerente tristeza. Uma tristeza que sempre me remete a cultura portuguesa, acho que o fado fez isso com a minha percepção dos patrícios. O cenário me toca particularmente, adoro viajar e tenho um fascínio pelo deserto. Adoraria estar nessa expedição descrita no livro, mesmo com todos os perrengues descritos.

A singeleza da história, a delicadeza com que a relação entre os dois é tratada e a viagem em si fazem desse um grande livro, mesmo com suas poucas páginas.

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