Nós vimos: Peter Pan (o filme – 2015)

Este final de semana nós vimos, em primeiríssima mão (valeu Nível Épico!), o novo filme sobre o menino que não queria crescer. Peter Pan (Pan, 2015, da Warner Bros) é um filme alucinante, mas é mais uma “livre inspiração” do que uma adaptação literária propriamente dita. Então, antes que a galera comece com “mas o filme não tem nada a ver com a história que eu conheço”, vamos lá: você não vai ver Wendy, nem meninos perdidos vestidos de bichinhos e tampouco a Sininho-Sexy-Ciumenta-Gênio Forte.

Aliás, se você acha que a história original é por aí, deveria dar uma olhada na nossa resenha sobre o livro de 1911, e você vai descobrir que tá sabendo menos ainda do lendário menino-eternamente-criança. Apesar disso, quem for conferir o longa nos cinemas perceberá que a nova aventura da Warner tem muito mais elos com a animação da Disney de 1953 do que com o personagem criado no início do século XX, por J. M. Barrie. O lançamento (que estreia no próximo dia 8 nos cinemas) está mais para “Peter Pan – A Origem”, traçando a história de Peter desde o seu nascimento, como foi parar na “Terra do Nunca” e porque se tornou “Pan”. Se você ainda não está muito por dentro, confere aí o trailer pra ter uma ideia:

Peter Pan é uma experiência sensorial MUITO surrealista, então a primeira coisa que eu recomendo é: veja em 3D. É um dos melhores filmes que já vi em três dimensões, a ponto de você piscar os olhos algumas vezes com um medo irracional de que uma bala ou lascas de navio entrem neles. O longa é muitíssimo colorido e com coreografias alucinantes de luta e aventura (em certas horas cheguei a me perguntar se não estava vendo uma apresentação do Cirque Du Soleil), um espetáculo que conta em muito para que você se sinta dentro da atmosfera da Terra do Nunca.

A história que vemos aqui é de como Peter chegou ao seu mundo de eternidade, e porquê. Aqui conhecemos a profecia de um menino capaz de voar, que seria o escolhido e uniria os reinos dos nativos e das fadas, na luta contra o Barba Negra, que dizimava tudo em busca do pó de fada para ser jovem para sempre. Sequestrado de um orfanato pertencente ao nosso mundo chato e em Guerra para ser um dos escravos de Barba Negra, Peter acredita que é na Terra do Nunca que encontrará sua mãe, e é muito mais em nome dela do que de qualquer profecia que empreende toda uma batalha contra o pirata sanguinário.

Todos os elementos da história clássica que já fazem parte do imaginário de crianças e adultos estão lá. E para bom entendedor aparecem diluídas em toda a história, mesmo que em contextos um pouco diferentes. Nibs – o amigo e braço direito de Peter, o Tic-Tac de um relógio, crocodilos gigantes, ter “pensamentos felizes”,  Tigrinha – a princesa dos nativos, o trapalhão Senhor Smee (ou Barrica), o futuro “Capitão” Gancho e até temos um vislumbre da Sininho. Amarrando toda a trama, temos a inserção de outros elementos originais, como o Barba Negra, famoso pirata inglês e vilão da vez, a exploração do pó de fada feita por meninos escravos em minas, os próprios animais da ilha e o fato de Peter ser órfão (escolha clássica na trajetória da maioria dos heróis), filho de importantes personagens para este mundo de fantasia.

A trilha sonora é algo a se observar também, e entendedores entenderão referências a clássicos do rock, como Nirvana e Ramones, que te farão sorrir como bobo pensando: “ih, ah lá!”. Aliás, me arrisco a dizer que o novo Peter Pan tem uma série de referências que passarão completamente despercebidas ao público infantil, fazendo do filme uma experiência diferenciada para crianças e adultos. Vale dizer que se o pequeno não gosta muito de momentos tristes ou se assusta facilmente com cenas de ação, talvez seja melhor pensar se é o caso de deixar pra depois. Pan tem uma quantidade considerável tanto de momentos reflexivos quanto de brigas, e até um tanto de violência (mesmo que de uma forma fantasiosa e bastante colorida), o que inclui algumas mortes. Os pássaros meio formado por penas, meio por esqueletos, saltando da tela naquele 3D hiper-realista chegaram a assustar alguns do menoreszinhos que estavam na mesma sessão que eu.

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Fora o estreante Levi Miller, que nos traz um Peter bastante expressivo, o elenco já nos é bastante conhecido de outras boas adaptações literárias para o cinema. Hugh Jackman é Barba Negra, um pirata cruel e egoísta, mas também já estrelou nas telas o sofredor  Jean Valjean de “Os Miseráveis” (2012). Garrett Hedlund é um James Gancho um tanto diferente, ainda possui as duas mãos e não é capitão, e acaba se tornando um dos melhores amigos de Peter na trama, mas também já representou o espírito livre Dean Moriarty de “On The Road” (2011). Rooney Mara é a sagaz e muito ágil princesa Tigrinha, líder dos nativos e a pessoa que acredita mais em Peter do que ele mesmo (o que foi, inclusive, uma escolha polêmica, porque no desenho da Disney a menina era indígena), mas também já interpretou a problemática e incrível Lisbeth Salander de “Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres”.

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Peter Pan (2015) é um filme muito divertido e com uma quantidade razoável de momentos engraçados.  Com uma proposta bastante diferente do clássico que conhecemos e seguindo a ideia já muito aproveitada nos cinemas de explicar a origem das histórias, o longa é bem amarrado em si e na tramas que presumimos que virão a seguir. A sensação de retorno à infância e de parque de diversões faz parte de toda a sessão, tornando-a um belo programa pra quem gosta de uma boa aventura. Se você gosta de uma viagem como essa, tenha pensamentos felizes, e já sabe para onde seguir…

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