A nova literatura feminina

A Bienal do Livro, que aconteceu no Rio entre 31 de agosto e 10 de setembro, contou com vários autores que participaram de palestras, debates e mesas de autógrafos, aproximando-os de seus fãs, o que abre caminho para uma Bienal mais antenada com o Século XXI. Nós aqui do Cheiro de Livro tivemos a oportunidade de ouvir e conversar com três escritoras que participaram desse evento literário e que nos mostraram que a voz feminina nos livros está mudando. Essas autoras são: Paula Hawkins, Sofia Silva e Karin Slaughter.

A britânica Paula Hawkins participou de um bate-papo realizado pela Editora Record com blogueiros literários fãs da autora. Entre questões sobre seu novo livro, “Em Águas Sombrias” e a sua opinião em relação a adaptação de “A Garota no Trem” para o cinema, sua fala mais importante foi sobre a importância de se escrever sobre o que se gosta e o que é verdadeiro para cada um. Hawkins começou sua carreira de escritora de ficção escrevendo romances, o que foi um fracasso. Livre para escrever o que realmente gostava, ela partiu para o thriller e não resta dúvida de que esse é o seu estilo.

Ela apontou a importância de se falar de assuntos mais próximos ao mundo feminino, como abuso e violência doméstica. Suas personagens quebram paradigmas, conseguem transcender o papel de vítima e, no fim, são o ponto focal de suas histórias.

Por esse caminho também passeia a autora Karin Slaughter, que conversou com a gente no estande da HaperCollins. Karin está lançando dois livros “Esposa Perfeita” e “flores Partidas” e contou um pouco sobre seu processo de criação, feminismo e como começou a escrever thrillers.

“Escrevo em uma cabana isolada, sem internet ou telefone. O local ideal para um crime. Lembra aquele filme com Johnny Depp (Janela Secreta)” se diverte a autora contando como se isola para conseguir escrever seus livros.  Ao ser perguntada sobre suas personagens femininas fortes Karin contou que começou a escrever o que queria ler, “como todos os autores de thrillers eu cresci lendo muitos livros policiais, Nancy Drew, Agatha Christie.” Com o tempo ela reparou que as mulheres nesses livros eram vítimas ou estavam lá para o sexo. Isso a levou a escrever sobre mulheres fortes que não são salvas e sim salvam a si mesmas. Karin também falou que já escrevia personagens femininas assim antes de virar uma moda. “Agora faço parte dessa moda”.

Já a escritora portuguesa Sofia Silva, que conversou conosco no estande da Editora Valentina, falou sobre a importância de um livro sobre uma mulher que sofreu abuso, conseguiu se libertar e tenta se abrir para um amor real. Mesmo que seu livro seja um romance, Sofia deixou claro que também acha importante falar sobre a violência que mais atinge as mulheres, o abuso por parte de um parceiro. “Sorrisos Quebrados”, lançado primeiro no Brasil, é a estreia da escritora em papel, porque ela já conquistou milhares de fãs no Wattpad e na Amazon.

Além de também assinalar a importância de se escrever o que gosta e o que lhe é verdadeiro, Sofia apontou que o mercado literário português tem preconceito com escritores que estão começando preferindo apostar em escritores consagrados. Cenário muito semelhante ao do Brasil. Para a autora, a Bienal do Livro é muito maior do que ela imaginava. Que a mistura entre escritores famosos e aqueles que estão começando, assim como entre grandes editoras e editoras independentes, cria uma diversidade única. O carinho dos fãs também deixou Sofia encantada e um pouco assustada, mas ela já estava bem adaptada ao calor do fã brasileiro. Por fim, uma ótima notícia. O sucesso de seu livro no Brasil tornou possível a publicação também em Portugal, já que naquela semana uma editora fechou um contrato com ela.

Hawkins, Slaughter e Silva estão em diferentes fases de suas carreiras mas com um ponto em comum, as três representam muito bem a nova onda de escritoras que estão surgindo, onde a literatura voltada para mulheres não é apenas aquela com romances água com açúcar e mocinhas indefesas. As mulheres ganharam vozes e são as heroínas de suas próprias histórias.

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