Nu, de botas

O livro de Antonio Prata morava na minha estante há anos. Por motivos diversos o livro era sempre preterido e ia ficando na estante, criando raízes, fazendo amizade com tantos outros que moram por lá. Fui a estante buscar um livro pequeno de tamanho desses bons para carregar na bolsa , foi aí que “Nu, de botas” , finalmente, foi lido. Por que demorei tanto para lê-lo? Que erro. O livro é uma delicia, desse que te fazem sorrir a cada página e que trazem tantas memórias da infância.

Cada capitulo do livro é uma pequena crônica de Antonio sobre a infância. É a lógica infantil apresentada com vocabulário de adulto. Ele falando sobre a chegada da irmã mais nova, falando que não entendia porque todos iam a sua casa felizes falar com a sua mãe quando ele via que algo estranho estava acontecendo com ela é hilário. É impossível ler e não lembrar da própria infância, dos amigos de infância, dos medos, das descobertas. Cada página é um transporte aos seus primeiros ano.

Meu capitulo preferido é o de Antonio na casa de um amigo querendo ver Spectreman na TV e a mãe do amigo proibindo porque é um programa muito violento. Nosso narrador fala que a censura dela é mais violenta do que ataques de lulas gigantes presentes do programa de TV japonês. No mesmo momento me lembrei de uma frase clássica da minha mãe “Aqui somos uma democracia, a democracia sou eu” e assim ela decidia as coisas sem debate.

Nada mais difícil de escrever do que a simplicidade de uma criança, explorar essa lógica necessita talento e Antonio Prata mostra isso. Ele escreve uma coluna na Folha de São Paulo há anos mas eu nunca tinha lido nada dele, um lapso que estou decidida a corrigir. O livro é daqueles que se lê em uma sentada, menos de 200 páginas, e vale cada segundo dedicado a elas.

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