O amor nos tempos do ouro

História e literatura na mais recente narrativa de Marina Carvalho

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Uma jovem – Cécile – perde a família e se encontra atravessando o Atlântico para um casamento arranjado.  Fernão, um homem de passado conturbado escolhe fazer o correto no lugar do que é mais fácil. Os dois terão jornadas diferentes que se encontrarão para os tornarem seres humanos melhores e fazerem a diferença na vida daqueles que os cercam. Tudo isso em um Brasil com a corrida do ouro e assombrado pela escravidão.  Isso é “O amor nos tempos do ouro” (Globo Alt) da autora brasileira, Marina Carvalho.

Já nas primeiras páginas, Marina Carvalho nos conta que para escrever “O amor nos tempos do ouro” ela pesquisou muito a história da época e decidiu escrever o romance com o linguajar do período histórico. Achei bárbara a escolha, pois deixa ainda mais próximos da história.

Enquanto Cécile e Fernão viajavam para o seu destino, entrando em matas e se banhando em rios, a jovem franco-brasileira se encantava com a fauna e flora do nosso país. Me lembrou muito de Ceci (“O Guarani”), com sua inocência e encantamento. O bom coração de Cécile a faz ser querida pelos leitores muito rapidamente, mas apenas uma coisinha me irritou bastante: sua mania de falar em francês no meio de frases ou em seu diário. Mas isso é coerente com a personagem. Eu é que sou chata mesmo, gente.

Continuando, “O amor nos tempos do ouro” é narrado em dois pontos de vista: Fernão e Cécile. Quando li a sinopse do livro, pensei que estaria embarcando em uma jornada repleta de amores proibidos e angst. Pensei: “Uau! Ele precisa levá-la até o seu noivo – que é um homem conhecido por ser cruel -, mas ele vai se apaixonar por ela e aí como vai ficar e ….”. Mas foi um pouquinho diferente.

Sim, toda essa tensão romântica acontece e não é spoiler algum. Tudo que eu esperei acontecer, aconteceu e foi muito bem escrito e realizado. O livro é impecável, mas é quase como se fosse perfeito demais. Estranho dizer isso, mas foi como senti a leitura. Como se tudo tivesse sido extremamente calculado e não tivesse espaço para impulsividade, paixão. Faz sentido?

“O amor nos tempos do ouro” tem uma narrativa belíssima, personagens cativantes, vilões odiosos e um pano de fundo extraordinário, mas por alguma razão, não fez meus olhos brilharem. Prendeu minha atenção até a última página, mas depois que terminei, não senti muito impacto. Acho que nem todo livro precisa gerar isso e estou mal acostumada com o meu lado fangirl. De repente foi isso. Sei lá. Leia e tire suas próprias conclusões.

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