O Bebê de Bridget Jones

Conheci Bridget Jones quando tive uma amigdalite e fiquei duas semanas de molho em casa, uma amiga era apaixonada pelos livros e nos apresentou. Foi amor à primeira vista, eu e Bridget nos tornamos grande amigas logo de cara. Naquelas duas semanas devorei os dois livros e virei fã do estilo ácido e divertido de Helen Fielding. Como boa jornalista, fui procurar mais sobre a autora e descobri que ela tinha uma coluna no jornal inglês “The Independent”, onde criou essa personagem, Bridget Jones, através da qual ela comentava sobre a vida de solteira. Seu editor achou que a personagem era ótima e assim nasceu o primeiro livro: “O Diário de Bridget Jones”, seguido de “Bridget Jones no Limite da Razão”. O primeiro livro tem uma forte inspiração em “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen e um dos meus livros favoritos da vida (como já comentei milhões de vezes aqui). O segundo livro mostra que a vida depois que você conquista o boy não é tão cor de rosa assim, principalmente quando os dois são tão diferentes, o livro é bem mais obscuro que o filme, mas gosto de ambos mesmo assim.

Quando escolheram Renée Zellweger para ser a personagem título, na adaptação, achei péssimo. Bridget é completamente inglesa, desbocada, errada da melhor maneira, além de sempre estar brigando com a balança. Renée era fofa, loira, americaníssima e magérrima, nunca daria certo. No fim deu certo, a atriz me convenceu. O mais legal dessa adaptação pro cinema são a diretora, Sharon Maguire, que é uma das melhores amigas de Fielding e inspiração para a personagem Shazzer, e o Colin Firth como Mark Darcy. No segundo livro, Bridget entrevista Firth em um dos momentos mais divertidos do livro (e extra do segundo DVD), exatamente pelo fato do ator ter se tornado famoso como Mr. Darcy na versão da BBC para “Orgulho e Preconceito”. Logo, sua escolha como Mark Darcy foi totalmente genial. Hugh Grant também encaixa bem como Daniel Cleaver, exatamente porque aquele era um momento complicado para o ator, envolvido em um escândalo sexual e que perdera o status de queridinho do cinema britânico. A amizade da diretora com Fielding combinada com um bom elenco e uma trilha sonora, recheada de clássicos pop, tornaram o filme “O Diário de Bridget Jones” um sucesso. O segundo filme conseguiu manter o mesmo clima e humor do primeiro me deixando feliz, como fã de Bridget Jones, com os resultados.

Dez anos passaram e Helen Fielding voltou com um terceiro livro sobre a personagem, “Bridget Jones: Louca Pelo Garoto”, onde ela pisa no coração de todos os fãs do casal Jones-Darcy e esmaga sem piedade. Encontramos Bridget com cinquenta e poucos anos, com dois filhos pequenos e viúva! Sim, Fielding matou Darcy e todos queremos matá-la! Como assim???? (antes que reclamem e gritem, isso não é spoiler, é a sinopse da trama do livro). Apesar do clima sombrio do início do livro, de uma Bridget meio perdida, logo a personagem se reencontra e, no fim, fiquei muito feliz por ter passado por aquilo com minha amiga tão querida. Fielding dá um final lindo para sua personagem e eu me senti muito satisfeita, apesar de ter perdido Darcy.

Restava esperar aquela última adaptação para o cinema, quando anunciaram que sim, existiria um terceiro filme. MAS (e um mas enorme, gigantesco e arrasador) não seria uma adaptação do terceiro livro e sim uma outra história da personagem. A única boa notícia é que nesse filme Darcy estaria vivo, lindo e de volta. Torci muito o nariz pra esse filme novo, que absurdo! Que caça níquel! Como assim a Fielding aceitou isso, estava arrasada. Até que fui ver o filme, com a maior má vontade do mundo, reconheço. E quebrei a cara. Nunca fiquei tão feliz em estar errada como fiquei com esse filme. Nele, Bridget e Mark vão e voltam por vários anos, até que ela desiste dele e ele casa com outra mulher (ABSURDO!). Ela continua trabalhando como produtora de TV e acaba em um festival de música com sua nova amiga e apresentadora do programa que produz. Nesse festival, Bridget conhece um americano, Jack Qwant, (Patrick Dempsey, o McDream de Grey’s Anatomy) e passa uma noite com ele. Na mesma semana, ela reencontra Mark em um batizado e também passa a noite com ele, quando descobre que ele está se divorciando. Semanas depois ela descobre que está grávida, mas não faz ideia de quem é o pai. Com 43 anos, Bridget decide ter o bebê independente de qualquer coisa, abrindo debate para vários assuntos como ser mãe depois dos quarenta, ser mãe solteira e ter uma profissão, além de brincar e criticar todos os exageros da sociedade atual em torno da gravidez. A dobradinha Fielding-Maguire se repete nesse terceiro filme, que mostra uma Bridget super adaptada aos novos tempos, sem perder o charme do primeiro filme. Outra surpresa é que Emma Thompson, além de interpretar a divertida obstetra de Bridget, também co-assina o roteiro.

Para os fãs dos filmes, esse é um ótimo retorno da personagem, mesmo sem Daniel Cleaver. Para os fãs dos livros, que estavam revoltados como eu, o filme faz uma ótima ponte entre o segundo e o terceiro livros. Com uma surpresa e um presente extra: “O Bebê de Bridget Jones”, o livro, em breve será lançado! No início de outubro na Inglaterra e EUA e no fim de outubro aqui no Brasil.

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