O Leitor do Trem das 6h27

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O pequeno livro de Jean-Paul Didierlaurent já entrou e saiu da minha pilha na livraria (sim, compro livros em pilhas) algumas vezes, dessa vez fui fisgada pelo nariz (sou dessas que usa o cheiro do livro como desempate na hora da compra). “O Leitor do Trem das 6h27” não foi nada como esperava e mesmo assim tornou-se uma boa leitura.

Guylain Vignolles trabalha em uma fabrica de reciclagem, ele é responsável por algo impensável para uma bibliófila: ele destrói livros para viver. É verdade que ver os livros tornando-se uma pasta amorfa faz muito mal ao nosso protagonista, ele detesta o trabalho, seu colega e chefe. São as poucas páginas que ele consegue salvar das entranhas da maquina destruidora que fazem dele o leitor descrito no título. Todo os dias, no trem das 6h27, indo para o trabalho Guylain tira da pasta umas poucas folhas resgatadas e lê em voz alta para um vagão atento.

Achei que seria um livro sobre salvar livros, sobre o desgosto de vê-los destruídos e acabei lendo uma espécie de moderna de “nunca te vi, sempre te amei”. Guylain sofre com a destruição dos livros, odeia a máquina que trabalha, uma maquina que aniquilou as duas pernas de um dos seus únicos amigos, Giusepe. A primeira parte do livro é, de certa forma, dedicada a máquina destruidora, é apenas quando um misteriosos pendrive cai nas mãos de Guylain e tudo muda.

Novos textos caem nas mão de nosso protagonista e a história muda completamente, torna-se um conto de amor, um amor nascido nas palavras. É nesse momento que o livro se transforma e fica ainda mais encantador. Queria muito mais páginas sobre esse amor, essa busca, 175 páginas é muito pouco, dá vontade de ler uma continuação.

“O Leitor do Trem das 6h27” não foi nada do que eu achava que seria e mesmo assim é uma daquelas leituras recomendáveis, que deixa o leitor comum sorriso nos lábios ao terminar as poucas páginas que tem.

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