O livro do Boni

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, é um dos nomes mais importantes da história da tv brasileira. É também um personagem controvertido assim como a emissora que ajudou a construir, a Rede Globo.  “O livro do Boni”, lançado pela Casa da Palavra, é um conjunto de causos vividos ou protagonizados por Boni ao longo de sua carreira, nada mais do que isso. Não espere grandes revelações ou capítulos elaborados sobre seus anos no comando de Rede Globo.

Boni atravessa toda a sua carreira em seu livro, fala de seu tempo no rádio, na propaganda e principalmente na tv e não só na Rede Globo. Todos os capítulos são superficiais e com raras exceções eles terminam falando de suas grandes amizades ou como as pessoas retratadas são maravilhosas. Não há criticas a pessoas envolvidas em seus projetos e tem uma longa lista de profissionais que ele lista quando fala de qualquer assunto.

O livro não é chato como pode parecer, pelo contrario, é interessante ler sobre os primórdios da tv. Sobre como tudo era improvisado, como tudo era feito meio no improviso e tudo dava certo. É um período rico da nossa televisão, é o nascimento da grade que conhecemos hoje, com novelas, noticiário, redes que abrangem todo o Brasil. O problema é que mesmo em assuntos onde não há polemica, como a criação do Fantástico ou do Jornal Nacional o que lemos é um relato rápido, sem profundidade. Não há um aprofundamento do processo de criação uma visão que só ele poderia dar destes momentos. Ele escolhe o caminho mais fácil, o do falar sem dizer muita coisa.

Nos casos polêmicos a situação é um pouco pior. Diretas Já, debate Lula x Collor, censura todos são tratados com simples negativas. Em alguns casos, como o do debate, Boni fez mais revelações na entrevista na Globonews para o Geneton Moraes Neto do que nas páginas. As negativas dele de manipulação das informações e as ligações da Rede Globo com o regime militar são pífias, mas estão bem no todo do livro. Todo ele é assim, tratado como se os assuntos se esgotassem em meia dúzia de palavras quando podem gerar livros inteiros.

É um livro fácil e rápido de ler mesmo com as mais de 400 páginas que tem. Dá uma ideia vaga de como a Rede Globo era gerida na era Boni, tem-se a sensação que junto com o famoso “padrão Globo de qualidade” reinava um nicho de amigos, ou isso, ou só os amigos merecem destaque na sua trajetória. Ele não assume desafetos ou mesmo grandes brigas, diz aqui e ali que teve algumas discussões, mas sempre, pelo menos em seu relato, tudo acaba bem, sem magoas da sua parte. Diz que sempre criticou trabalhos e não pessoas, dedica um capito inteiro a isso, parece mais um pedido de desculpas do que a realidade.

No todo é um livro interessante de ser lido, mostra, mesmo que superficialmente, como a principal rede de tv do Brasil foi construída. Fica-se com um gostinho de que poderia ser melhor, que Boni tem infinitamente mais historias para contar e com mais riqueza de detalhes do que ele quis colocar nas paginas, mesmo assim é um livro que não pode ser ignorado no panorama da tv brasileira, muito mais pela importância de seu autor do que pela qualidade do que foi escrito.

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