O Paciente

O mais novo filme de Sergio Rezende, O Paciente baseado no livro de mesmo nome de Luis Mir, reconta dias primordiais de nossa democracia e, ao mesmo tempo, os últimos dias de Tancredo Neves. É um filme do nosso tempo que mostra o quão perto de não termos nossa democracia de volta e um momento que marcou profundamente a vida nacional.

1984 foi o ano das Diretas Já, um movimento que tomou as ruas, trouxe esperança de dias democráticos e foi derrotado por um congresso mais interessado em manter o poder do que espelhar a vontade nacional. A grande figura do movimento das diretas era Ullysses Guimarães mas não foi ele o escolhido do MDB para concorrer no colégio eleitoral à presidência. O escolhido foi um nome bem mais palatável ao regime militar: Tancredo Neves.

Tancredo se vestiu de salvador da pátria, de grande líder que nos reconduziria a democracia e a dias mais prósperos e tranquilos. Enfrentou Paulo Maluf no colégio eleitoral e venceu. Um dia antes da posse, Tancredo foi internado com suspeita de apendicite e aí se inicia um drama que  tomou toda a atenção do país.

Othon Bastos vive um Tancredo que se acredita o único capaz de levar o país a democracia, se acredita um predestinado. Esther Goes é dona Risoleta Neves que com o marido internado se divide entre as atribuições de primeira-dama e as decisões médicas.  São exatamente as decisões médicas que fazem o filme. Cada decisão é tomada mais por política do que com o pensamento no bem estar do paciente. É uma sucessão de erros que beiram ao inacreditável. Todas essas decisões levaram Tancredo a morrer no dia 21 de abril (tão simbólico) e nós fomos governados por cinco anos por José Sarney.

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