O poder das palavras

Dizem que uma imagem vale por mil palavras, mas se o seu vocabulário não for extenso, como entender o que estamos sentindo, certo? Como explicar o coração apertado como se estivesse sendo preso com aqueles elásticos duros de cabelo? Como entender a razão do frio repentino na barriga? E essas sensações não surgem só quando estamos apaixonados, mas também quando temos que tomar uma decisão muito importante, daquelas que mudam a nossa vida.

Sempre gostei de palestras e livros motivacionais. Não porque eles mudam a minha vida, não. Essa responsabilidade é apenas minha. Gosto desse tipo de conteúdo porque me ajuda a colocar a minha situação em perspectiva. Esse tipo de livro/filme/palestra age como óleo lubrificante na engrenagem da minha mente e me auxilia a fazer as conexões que preciso fazer para entender o que preciso entender para, então, tomar a decisão que preciso tomar, com todos os ônus e bônus trazidos pelas consequências. Porque sim, toda decisão tomada traz consequências e é lidar com elas que traz a insegurança.

Nossa, Frini tá filósofa hoje, néam? Pois é … isso tudo para falar sobre o livro “Vidas muito boas”, que nada mais é do que o discurso que J. K. Rowling (autora de Harry Potter, caso você não saiba. Wut?!) fez na formatura de alunos de Harvard. O discurso foi lindamente editado em um livro de capa dura publicado pela Rocco.

“Vidas muito boas” é um livro pequeno, que você lê em poucos minutos. Mas não é um livro que deveria ser lido tão rápido, ou melhor, é um livro que precisa ser relido várias vezes. Rowling – que já foi muito pobre, mãe-solteira e batalhou demais para conseguir tudo que tem hoje – falou aos formandos de uma das faculdades mais conceituadas do mundo sobre dois temas: fracasso e imaginação.

Em seu discurso – obviamente muito bem escrito -, Rowling explica a importância do fracasso no fortalecimento de cada um. Ela escreve que seu fundo do poço a fez entender que ainda estava viva, ainda tinha uma excelente ideia na cabeça e uma filha amada para sustentar. Todos os seus maiores medos haviam se concretizado, então tudo que ela tinha era seu talento e sua vontade de sair da pobreza. E ela conseguiu. Não foi fácil, mas ela recebeu ajuda de seus verdadeiros amigos e correu atrás. E isso, pra mim, é motivador não somente por ser quem é, mas pelos fatos que ela pontuou.

Rowling também fala sobre a importância da imaginação. Ela diz que essa capacidade é nativa de todos e não se manifesta apenas na hora de criar mundos mágicos. Não! Ela se manifesta por meio da empatia. Ao termos a humildade de nos colocarmos no lugar do outro e imaginarmos o que o outro passa, exercermos a imaginação e somos capazes de influenciar positivamente nosso ambiente. E isso, minha gente, é um poder sem medida que traz consigo uma grande responsabilidade.

Sou uma pessoa que se questiona muito sobre tudo isso que Rowling aborda em “Vidas muito boas”. Minha cabeça libriana está sempre pesando ônus e bônus de tudo, montando inúmeros planos a, b, c, w e y e procurando ver tudo e todos por diversos ângulos diferentes. Tudo isso porque quero sempre tomar a decisão que traga as melhores consequências, mas tenho sempre muito receio de enfrentar o fantasma do fracasso. Quem nunca?

E até para isso Rowling tem resposta: “É impossível viver sem fracassar em alguma coisa, a não ser que vocês vivam com tanto cuidado que acabem não vivendo de verdade – e, neste caso, vocês fracassam por omissão”.

Em tempos que mudam tanto e toda hora, é impossível estar na crista da onda sempre. Em alguns momentos, temos que aprender a mergulhar fundo, testar nosso fôlego e nadar muito até chegar a alguma praia. Mas mais do que isso, é entender que nem toda praia é feita para criarmos laços eternos. Algumas são passageiras. Essa metáfora praiana é para ilustrar a minha luta para sair da zona de conforto. E eu nem sou tão fã de praia assim!

Enfim, leiam “Vidas muito boas” mesmo que não curtam a escrita da Rowling. E não tenham vergonha de ler livros de Auto Ajuda. Todos os livros ajudam e reconhecer que a sua vida, sua atitude ou algo além disso tudo precisa mudar, é o primeiro passo em uma jornada que só você pode trilhar e nem sempre será compreendida.

Leiam, reflitam e tenham vidas muito boas.

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