Os planos da Amazon para o Brasil

“Quero ir à Lua. E ao Brasil”, tem dito Jeff Bezos, fundador da gigante do comércio eletrônico Amazon, aos interlocutores próximos. O segundo desejo de Bezos está perto de acontecer. No segundo semestre de 2012, a Amazon desembarca no Brasil para disputar o comércio eletrônico, que movimentou R$ 20 bilhões em 2011 e deve dobrar de tamanho nos próximos quatro anos. O primeiro alvo de Bezos é o setor de livros, que vendeu cerca de R$ 4,5 bilhões em 2010. O escolhido para orientar os primeiros passos da Amazon no país é o engenheiro eletrônico Mauro Widman, cuja meta era estrear o site da empresa no Brasil em abril deste ano, com acordos assinados com 100 editoras. Até agora, fechou com apenas 10 selos – sendo apenas um de uma grande editora. O entrave para a rápida entrada responde pelo nome de Livraria Saraiva. Segundo fontes ouvidas pela DINHEIRO, a empresa, dona da maior rede de livrarias do país, com 102 pontos de venda, estaria usando seu poder de barganha junto às editoras locais para dificultar a chegada da americana. Um executivo do setor, que pediu para não ser identificado com medo de sofrer represália, tem aproximadamente 50% de seu faturamento advindo das vendas pela Saraiva e recusou contrato com a Amazon. “Eles ameaçaram colocar nossos livros nas prateleiras obscuras do fundo das lojas”, diz o executivo. O CEO da Saraiva, Marcílio Pousada, nega que esteja fazendo esse tipo de pressão. “Jamais falaríamos isso”, afirma. A Amazon estuda entrar com uma ação contra a Saraiva no Cade, órgão de defesa da concorrência. Outra hipótese é ir além do e-book e entrar de sola na venda de livros de papel.

[Isto É Dinheiro – 23/03/2012 – Por João Varella]

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