Overbite

por Frini Georgakopoulos

Quando a última página de um bom livro é virada (dependendo do livro), é normal pensarmos “como eu queria que a história continuasse”. Quando acabei de ler “Insaciável” (de Meg Cabot, Editora Galera Record. Leia a resenha aqui), foi o que pensei, pois, na época, não existia um plano para mais um livro (ele ainda não havia sido publicado no Brasil). Pouco tempo depois, pesquisei na internet e vi que sim, Meg Cabot escreveria mais um. Na hora me empolguei muito, pois o gancho deixado pelo primeiro foi ótimo: um dos gatinhos apaixonado (Alaric), o segundo – e perigoso – prometendo amor eterno e um retorno triunfante (Lucien), e a mocinha (Meena), com coração dividido e tendo que reconstruir sua vida.

Quando “Overbite” foi lançado, comprei e, assim que pude, o devorei. Durante a leitura descobri três coisas: uma, o que finalmente acontece na história; a segunda, que Meg Cabot continua ótima; e a terceira, que nem sempre continuar uma história que foi originalmente feita para ser de um livro só é a melhor saída.

Em “Overbite”, Meena trabalha para a Guarda Palatina – uma unidade secreta do Vaticano que caça monstros, principalmente vampiros – e tenta convencer a todos que, na verdade, vampiros não são de todo mal. Claro, claro … senta lá Cláudia. Pelo menos é isso que Alaric Wulf acha, já que seu maior inimigo é Lucien – por ser o filho de Drácula, vampiro mega do mal e o dono do coração de Meena. Mas Lucien está bem escondido e tem um plano não tão incrível assim, mas coerente para retornar e reconquistar Meena. Já Alaric também quer conquistar Meena, mas não faz idéia de como. No meio desse triângulo amoroso, outros vilões aparecem, um padre brasileiro chega para tomar as rédeas da situação – e deixar Alaric fulo da vida – e uma situação une todos os personagens citados acima e mais alguns. Aliás, outros personagens e menções ao Brasil aparecem no livro, no melhor momento “amei a Bienal e quero homenageá-los”.

Neste livro, os personagens continuam a ser desenvolvidos, alguns de maneira melhor do que outros. O irmão de Meena, Jon, continua a um passo de ser gêmeo de Jason Stackhouse (True Blood) e Meena está mais mala do que no primeiro livro. Ela tem um dom especial e é uma mulher independente? Sim, mas em “Overbite” ela chora por qualquer coisa e parece prima de Bella Swan (apesar de que, por mais que essa seja também meio mala, não chora tanto). Já Alaric continua charmoso, mas não tanto quanto Lucien que, por mais que enfrente momentos de “quem sou eu e o que devo fazer daqui para frente”, ainda arranca suspiros de Meena e das leitoras.

A narrativa de “Overbite” flui bem e o desenvolver da trama é coerente em si e com o final de “Insaciável”, mas falta algo. É como se o livro tivesse sido escrito somente para honrar a vontade dos fãs e o contrato com a editora, e não porque existia mais da história para ser contado. Talvez sinta isso porque, por mais que o final seja coerente, não me convenceu.

Acho que a maior fraqueza de “Overbite” seja o que Meg Cabot fez para resolver o dilema dos dois gatinhos. Em “Insaciável”, Lucien é o escolhido por Meena e é, de uma certa maneira, o vilão. Ao final do livro, Alaric se coloca na posição do segundo gatinho e sabemos que ele tentará conquistar Meena. Em “Overbite”, Alaric ganha destaque, mas o personagem de Lucien continua mais forte. Então, como fazer a protagonista e as leitoras trocarem sua preferência de Lucien por Alaric? Desconstruindo Lucien. Faz sentido para a história? Sim. É bem feito? É. Então porque eu sinto que Meg Cabot forçou a barra e a mão para que isso acontecesse? Ao terminar de ler “Overbite”, tive a sensação de vazio, de escrita por encomenda. Não que o livro seja ruim, muito longe disso, mas não vi o coração, a vontade da autora ali, como vi em “Insaciável”.

Meg Cabot não disse que “Overbite” seria o último da série, mas também não afirmou que haverão outros. De repente as coisas melhoram no próximo. Ou talvez não.

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Um pensamento em “Overbite”

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