PAPE SATAN ALEPPE: Crônicas de uma Sociedade Líquida

Pape Satàn Alleppe, foi o grito dado por Plutão ao ver Dante Alighieri entrar no quarto círculo do Inferno. De tradução incompreensível, não se sabe se era de tristeza, surpresa, felicidade, ironia… E é justamente este mistério que intitula o último livro de Umberto Eco. A obra reúne várias crônicas escritas entre 2000 e 2015 na coluna La Bustina de Minerva, publicada pelo autor no jornal italiano Espresso. A escolha desta expressão como título do livro tem uma razão muito clara e já nos diz muito sobre o que leremos em suas páginas, Eco faz uma ponte entre a frase sem sentido e a nossa sociedade, também sempre tão incompreensível e incompreendida, desconexa, sempre em crise, uma sociedade líquida em todos os seus aspectos, tal qual definiu o sociólogo polonês Zygmunt Bauman. São 178 crônicas, divididas em 14 capítulos, todas escolhidas pessoalmente por Umberto Eco, e ele mesmo também explica a escolha do título:

“A citação é evidentemente dantesca (“Pape Satàn, pape Satàn aleppe, Inferno, VII, 1), mas como se sabe, embora uma profusão de comentaristas tenha tentado encontrar um sentido para o verso, a maior parte deles concluiu que não tem nenhum significado preciso. Em todo caso, pronunciadas por Plutão, estas palavras confundem as ideias e podem se prestar a qualquer diabrura. Achei, portanto, oportuno usá-las como título desta  coletânea que, menos por culpa minha do que por culpa dos tempos, é desconexa, vai do galo ao asno — como diriam os franceses — e reflete a natureza líquida destes quinze anos.”

Em Pape Satàn Alleppe, Eco passeia entre os mais diversos temas, desde religião, passando por racismo e xenofobia, e chegando em política italiana, mídia de massa e a até teorias de conspiração. A internet, as redes sociais, o mundo digital de uma forma geral também não poderiam ficar de fora, dada a palpável (seria isso possível?) liquidez de suas relações. Harry Potter, Feminismo, Twitter, 11 de setembro, tudo tem espaço nessa coletânea em que o autor nos brinda com suas análises críticas, sua escrita refinada, e também seu humor sarcástico.

A obra nos fala muito sobre como somos bombardeados de informações o tempo inteiro. Eco nos deixa claro que o trabalho dos editores deveria ser ensinado nas escolas, afinal, diante de um mar de conteúdos, como decidir o que ler e o que não, o que guardar e o que jogar fora? Não obtemos respostas, mas com certeza ao percorrer as mais de quatrocentos páginas de Pape Satàn Alleppe saímos mais reflexivos sobre nós mesmos e nossa sociedade, talvez preparados para melhores e mais objetivas perguntas (talvez não).

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