Perfil: George R. R. Martin

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George R. R. Martin foi, para mim, um daqueles autores-presente que caem assim no seu colo de repente, como uma grata surpresa. Antes de toda essa euforia de Game Of Thrones versão HBO, à época em que a Editora Leya começou a lançar em território brasileiro os livros de “As Crônicas de Gelo e Fogo”, eu participei de um sorteio no twitter e ganhei uma edição de “A Fúria dos Reis”. Verdade seja dita, eu costumava participar de muitos sorteios sem muito critério, se era de livros, eu tava dentro. E só depois daquele calhamaço chegar na minha casa é que eu fui perceber não só que ele era gigante, mas também que era o segundo livro de uma série que eu vagamente tinha ouvido falar. Procurei conhecer e fiquei muito curiosa e, óbvio, tive que comprar o primeiro da série para começar aquela aventura que tanto prometia. Já nas primeiras páginas de “Guerra dos Tronos”, a escrita minuciosa de George R. R. Martin me conquistou. Os personagens tão detalhadamente bem construídos que era possível visualizar cada fio de cabelo. Os cenários tão complexos e minuciosamente descritos que era possível sentir o frio além da muralha e o arrepio provocado pela presença dos Outros (ou “Caminhantes Brancos”). Logo eu estava engolindo cem, duzentas, quinhentas, mil páginas, porque precisava saber tudo que iria acontecer em Westeros (e fora dele), estava vivendo aquele mundo e as mazelas e alegrias de cada personagem (mais mazelas do que alegrias, diga-se de passagem). Muitas vezes me vi chorando, vibrando, roendo as unhas, folheando as páginas a cada minuto que era possível para descobrir o que vinha a seguir, tudo que um bom livro deveria ser digno de nos proporcionar. Então, assim que meu orçamento permitiu, adquiri “A Tormenta das Espadas”, “O Festim dos Corvos” e, num pré-lançamento bastante afobado, a fatídica edição de “A Dança dos Dragões” com um capítulo inteiro faltando, numa relação de amor e ódio por aquele autor que conquistou meu coração, mas não tinha dó de pisar no pobre coitado a cada desenrolar da história.

George R. R. Martin é daqueles autores ame-o ou deixe-o. E suas características que mais me fascinam, podem ser as que irritem alguns leitores que não o curtem. Os livros caracteristicamente longos, as descrições que levam parágrafos e parágrafos, a construção psicológica de cada personagem e a importância de cada coadjuvante (parece que não, mas ninguém entra nas tramas à toa), as reviravoltas e desfechos surpreendentes, o realismo das relações humanas mesmo dentro da literatura fantástica. E, é claro, o fato de ninguém estar seguro. Qualquer personagem pode morrer (ou até pior – e acredite, tem pior) a qualquer momento, tal qual nas guerras do mundo real. Para falar a verdade, o que eu mais torço é para que a vida não seja irônica a ponto de ele mesmo morrer antes de terminar de escrever a série (estão previstos pelo menos mais dois livros, mas George costuma dizer que tem conteúdo na sua cabeça para mais uns dez). Seria um desfecho e tanto.

Apesar de ser mais conhecido por “As Crônicas de Gelo e Fogo”, George escreveu outros livros (como “A Morte da Luz”) e contos, e editou muitos outros volumes (como “Wild Cards”). É ainda roteirista de ficção científica, terror e fantasia. Nasceu em Nova Jersey em 1948, filho de um estivador e uma dona de casa, e possui duas irmãs mais novas. Originalmente foi batizado como George Raymond Martin, e adotou o “Richard” como um de seus nomes por conta própria. De família pobre, viveu por muito tempo com sua família em casas populares construídas pelo governo. Desde muito novo se tornou fã de livros de fantasia e quadrinhos de super-heróis, e até hoje se considera um grande fã de J. R. R. Tolkien, que admite ser uma de suas influências. É formado em jornalismo e possui mestrado na área. Começou a escrever contos de ficção na década de 1970 e chegou a ter uma de suas histórias rejeitada 42 vezes por revistas da área, antes de alcançar sucesso. Na década de 1980 passou a escrever para a TV em séries como “Beauty and the Beast” (1987) e “The New Twilight Zone” (1985), além de se tornar o editor de livros da série “Wild Cards” (1987). Em 1991, começou a escrever o que viria a ser a série “As Crônicas de Gelo e Fogo”, buscando inspiração especialmente na Guerra das Rosas e em Ivanhoé. “Guerra dos Tronos”, o primeiro livro da série, viria a ser publicado em 1996, e a série se tornou logo sucesso de público e crítica. O estrondoso contrato com a HBO veio em 2007, e a adaptação das Crônicas em formato de série televisiva estreou em abril de 2011.

George R. R. Martin gosta de colecionar miniaturas com temas medievais, livros de terror, fantasia e ficção científica, além de histórias em quadrinhos. Em 2011, se casou com sua companheira de mais de 30 anos de relacionamento, em uma pequena cerimônia no Novo México, e os dois trocaram alianças inspiradas em anéis célticos, feitos por artesãos.

“Às vezes é difícil ouvir a verdade. Duas das frases centrais da série são verdades, mas não o tipo de verdade que a maioria dos humanos gostaria de contemplar. “O inverno está chegando” e “Valar morghulis” – todos os homens devem morrer. A mortalidade é a verdade inescapável de toda a vida… e de todas as histórias também.” – George R. R. Martin em entrevista à Revista Rolling Stone

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