Perfil: Mauricio de Sousa

alo mamae bugu

Eu tenho um mini treco cada vez que eu penso no que significa o Mauricio de Sousa pra mim, porque ele foi, com certeza, meu primeiro contato com as letras no nível “eu já sei ler sozinha”.  Eu já era familiarizada com os seus gibis, mas foi na minha formatura da alfabetização que ganhei um livrinho chamado “A Turma da Mônica e o ABC” (joga no Google, talvez você também tenha tido um desses e nem se lembre) e eu me lembro de lê-lo tantas e tantas vezes, que eu praticamente já tinha decorado os mini poemas de cada letra. Acho que foi nessa época que me bateu um amor eterno e enorme por aquela turminha e seu autor que pareciam “tão eu”.

Dali em diante eu queria os gibis, pegava emprestado de quem tivesse, e em todas as férias eu perturbava meus pais porque pra sobreviver eu PRECISAVA de um Almanacão da Turma da Mônica (esse eu aposto que você já teve). Eu passava horas e horas lendo as historinhas e fazendo as atividades, e ali fui adquirindo meu gosto por leitura e aperfeiçoando desde a habilidade de segurar os lápis até o raciocínio lógico. Mauricio me fez ser uma criança ainda mais nerd e estudiosa, e eu preciso reconhecer que foram os seus gibis e almanaques que abriram o caminho para a minha paixão por livros, que viria um tempo depois.

Acredito que o gosto por ler tem muito a ver com encontrar uma leitura que lhe seja prazerosa, e as histórias em quadrinho da Turma da Mônica não eram/são uma delícia porque a gente aprende uma lição ou porque absorvemos dicas de vida em sociedade e de boas maneiras, por mais que por trás de todas as páginas houvesse um pouco disso. Os gibis eram (e são) uma gostosura para a criançada (e para os adultos também), porque tratam do seu cotidiano. A identificação dos pequenos com a turminha é muito forte. Eu era baixinha, gorducha e dentuça, assim como a Mônica, mas apesar de ser zoada pelos meninos implicantes, a menininha era “a dona da rua” e se defendia muito bem. Então quando me chamavam de Mônica eu não me sentia insultada, porque, afinal, ela era a personagem principal da história toda e tinha um gibi com seu nome! Eu QUERIA ser a Mônica.

A turminha era/é baseada em estereótipos sim, não podemos perder de vista que, nesse quesito, a linha entre ser fofo e ser preconceituoso é muito tênue, mas era exatamente essa construção que provocava maior identificação com o público. Todo mundo conhece um coleguinha que não gosta de tomar banho, que come muito, que fala errado, que é tão inteligente que os outros às vezes não o entendem muito bem, e muitos, muitos outros. Na Turma da Mônica, assim como na vida real, ninguém é perfeito, mas os gibis mostravam que dá pra ter muitos amigos e ser muito feliz do jeitinho que você é.

Além dos amiguinhos da Mônica, havia outros que igualmente me acompanharam, como a Turma do Penadinho e o Chico Bento. Eu nunca estava sozinha. E só depois de adulta eu percebi o quanto eram complexas e profundas algumas reflexões que me foram ensinadas pelo Astronauta, Piteco, Bidu e Horácio.

"Mito da Caverna", de Platão, ilustrada em um quadrinho do Piteco, pode sim!
“Mito da Caverna”, de Platão, ilustrada em um quadrinho do Piteco, pode sim!

Mauricio está completando 80 anos de vida hoje, com uma trajetória incrível. Sempre quis ser desenhista, mas começou no Folha da Manhã como repórter policial, e passou cinco anos ilustrando suas próprias reportagens sempre que podia. As histórias em quadrinho começaram em 1959, quando as tirinhas do Bidu (seu primeiro personagem e símbolo da Maurício de Sousa Produções)  passaram a ser publicados no jornal. Em 1963, nasce a Mônica e Mauricio participa da criação da “Folhinha de São Paulo”, suplemento voltado para o público infantil. Em 1987, passou a ilustrar, também, o “Estadinho”, que até hoje publica suas histórias. Pai de dez filhos, Mauricio utilizou seus pimpolhos como inspiração para muitos personagens, como é o caso da Mônica, Magali, o Nimbus, Do Contra e outros. Muitos outros personagens das tirinhas foram inspirados, ainda, em amigos de infância, como é o caso do Cebolinha e o Cascão.

Dentre as dezenas de personagem criados, existem várias versões de pessoas famosas que fizeram “participações” nos quadrinhos de Maurício, como jogadores de futebol e artistas. Desde 2008 vem sendo publicada a série de gibis “Turma da Mônica Jovem”, que faz uma releitura da turminha em suas versões adolescentes, e que conquistou o coração de muitos leitores com centenas de milhares de exemplares publicados. Igualmente apaixonante é o projeto “Graphic MSP”, que começou em 2012 e mostra os personagens maravilhosos de Mauricio em versão Graphic Novel, nas mãos e traços de diversos ilustradores e quadrinistas brasileiros.

Mauricio alcançou fama internacional, e seus personagens passaram a ser parte de um grande conglomerado de cultura e entretenimento, sendo utilizados no cinema, televisão, videogames, parques de diversão, brinquedos, material escolar, produtos de higiene e muitos outros. Posso arriscar dizer que Mauricio de Sousa é o nosso Disney brasileiro? Acho que posso sim (por favor, não me matem, falei que eu o amo demais).

Seja como for, vida longa a ele e ao seu legado.

mauricio de sousa

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