Primeiros Contos de Truman Capote

O lançamento da José Olympio reúne 14 contos do autor, escritos durante sua juventude, ainda inéditos no Brasil.

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Conheci Truman Capote na faculdade de Comunicação, afinal, todo jornalista que se preze já ouviu pelo menos falar de seu clássico “A Sangue Frio” (1966), livro pioneiro do jornalismo literário que relata um massacre bárbaro contra uma família de uma cidade muito pequena no interior do Kansas. Só um tempo depois de ler essa pérola da literatura e do jornalismo é que eu fui descobrir que Capote era também o responsável pelo romance homônimo que inspirou o filme “Bonequinha de Luxo”, estrelado por Audrey Hepburn.

Quando soube que a editora José Olympio lançaria contos inéditos escritos por Capote enquanto jovem, logo fiquei interessada. Conta-se que aos 11 anos o autor já buscava aperfeiçoar suas habilidades, e o livro já começa bem, falando exatamente disto. No prefácio (escrito por Hilton Als) somos ambientados a este e vários outros aspectos do autor, além de ter acesso a informações chave e interpretações sobre os escritos, que acrescentam em muito à experiência de leitura desta coleção de contos.

Descobertos em 2013 na Biblioteca Pública de Nova Iorque, esses artigos falam de temáticas bastante comuns ao Capote mais velho: os tipos sulistas dos EUA, a vida comum em cidades pequenas, os aspectos banais do dia-a-dia, os personagens marginais, vulneráveis, até um tanto problemáticos. Os pessoas excluídas, solitárias, ganham destaque na narrativa do autor em formação, característica que se aprofundaria em suas publicações posteriores.  As histórias são de uma sensibilidade única, e todas te tocam, mesmo que cada uma a sua maneira. Os contos são rápidos, bastante curtos, mas não se engane, os personagens são muito profundos. Capote é capaz de proporcionar um exercício de empatia tal que você facilmente se põe no lugar de suas criações, vivenciando suas experiências. Se pensarmos que o autor os escreveu com idade tão pouca (não há data exata de todos, mas sabe-se que todos foram produzidos antes dos seus 20 anos), dá até uma vergonhazinha de já estar com mais de 25 e só produzir resenhas (RYSOSNERVOSOS).

Da primeira à última página a edição da José Olympio (selo do Grupo Record) é feita com muito cuidado, da tradução à impressão. A capa é marcante, mas ao mesmo tempo simples, como as histórias que guarda em seu interior. É um livro perfeito para se ler de uma vez só em um dia preguiçoso ou em uma longa viagem de ônibus, um daqueles momentos que te fazem pensar na vida. Com certeza estes contos não são a obra prima do autor, mas revelam como Capote já tinha um talento absurdo para transformar sentimentos e conflitos humanos em palavras. Um livro super indicado tanto para quem já curte o autor, quanto para quem quer abrir caminho para conhecê-lo, ou mesmo para quem quer ler bons contos sobre a complexidade humana.

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