A Prisão do Rei

Adoro distopias e por isso a criada por Victoria Aveyard veio parar na minha mão aqui na Redação. O primeiro livro era interessante (resenha aqui), no segundo Mare, a heroína virou uma mala, agora em “A Prisão do Rei” é uma tentativa de correção de rumo, são páginas demais para corrigir erros do passado e ainda tentar construir uma trajetória para o quarto livro.

O maior problema do segundo livro é Mare. A protagonista se transformou em uma personagem tão chata e com atitudes tão idiotas que é difícil de se relacionar, eu quase comecei a torcer para que a Guarda Escarlate fosse derrotada. O terceiro livro se esforça para, sem mudar a personalidade de Mare, mudar tudo que foi construído em “A Espada de Vidro“. Ela passa boa parte do livro como prisioneira de Maven e isso faz com que ela passe a agir diferente e volte a ser um personagem com quem o leitor consiga se relacionar, funciona só parcialmente. O trauma não precisa ser explicado a cada linha, o leitor não precisa ser relembrado a todo instante o quanto ela sofre e sofreu, só tirando essas explicações já reduzia bastante o tamanho dos livros.

Aqui ganhamos mais duas outras narradoras além de Mare, Cameron e Evangeline são protagonistas, aqui e ali, de alguns capítulos. Fiquei esperando que tivessem mais protagonismo. Esse é o volume da série onde a politica deveria dominar, ao invés disso ficamos vendo o mundo pelo olhar limitado de Mare e vemos uma protagonista incapaz de ver o todo do que está acontecendo. Isso me irritou um pouco, queria mais capítulos fora da prisão do Rei e mesmo quando estamos fora da prisão as duas outras narradoras tem pouca percepção do que está se desenrolando.

“Prisão do Rei” não é um mal livro, só é grande demais para o que contem. Toda o primeiro terço do livro é grande demais, o segundo terço, onde está realmente a história que se desenrolará no próximo livro, é minúscula e o final é para ser apoteótico, com uma grande batalha e a carnificina é descrita só pela metade. Aveyard perde tempo descrevendo um cativeiro repetitivo e no momento decisivo do livro desiste de continuar, fiquei frustrada.

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