Quem é você, Alasca?

John Green é um sucesso mundial com milhões de fãs, minha única experiência lendo um livro seu aconteceu por puro acaso e não foi das melhores. Dessa vez fiz tudo certinho, fui a livraria com a intenção de comprar um livro de Green, resolvi que levaria o que visse primeiro e assim “Quem é você, Alasca?” veio parar na minha mão. Uma tentativa de romance de formação que não me agradou.

Miles “Bujão” Halter é um adolescente deslocado e sem amigos que deixa a casa dos pais para estudar em um internato no Alabama. Na nova escola conhece Alasca e se integra a um grupo de amigos e começa a sua jornada pelo Grande Talvez. O Grande Talvez são as palavras finais do escritor Rabelais, Bujão é fascinado por ultimas palavras, e aqui tanto essas como a de Bolivar (como sairei desse labirinto?) conduzem os personagens e o leitor pela trama. É um bom recurso estilístico e filosófico o suficiente para encantar adolescentes.

O meu grande problema com o livro é o fato de Green achar que o impacto que uma pessoa tem na vida de outra é maior com uma tragédia. Alasca é descrita como apaixonante, mas para mim ela beira mais a insuportável. Tudo nela é exagero e esse é o erro, ela não encanta do leitor e isso diminui o impacto do que é narrado. As marcas que as pessoas que cruzam a nossa vida deixam não dependem de grandes acontecimentos e é ai que Green erra na mão. Bujão é mais tocado por ter conhecido o Coronel do que Alasca e essa sutileza é desperdiçada no livro.

Green tem uma escrita fácil e o livro flui bem, mesmo assim não me encanta. O livro poderia ser melhor, ser um romance de formação de verdade e não apenas uma grande tragédia rodeada por questões filosóficas para adolescentes. É verdade que aqui os adolescentes agem mais de acordo com a idade, no terço final tem umas escorregadas em que Bujão mais parece um adulto, e isso contribui para a percepção do exagero da história. Adolescentes são autocentrado e dramáticos, a narrativa não precisa ser.

Essa minha segunda investida na obra de John Green não tirou a minha impressão mais ou menos de seus livros. “Quem é você, Alasca?” é melhor desenvolvido do que “A Culpa é das Estrelas” e isso não é dizer muito.

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