Querido dane-se

Eu li o primeiro livro de ficção da Kéfera Buchmann. Pronto, falei e tô leve. Verdade seja dita, li porque recebi da parceria com a Companhia das Letras (o livro é do selo Paralela) e não porque pedi. Preciso deixar isso claro para vocês, leitores, entenderem o meu posicionamento ao ler e escrever sobre a obra. Admiro o movimento que a Kéfera tenha feito, mas não sou fã e nem tinha vontade de ler o livro. Mas não é que me surpreendi positivamente?

“Querido Dane-se” é narrado em primeira pessoa – Jussara – em formato de diário. A protagonista tomou um pé na bunda e está fazendo terapia, que consequentemente lhe sugeriu escrever tudo em um diário. Esse tipo de narrativa ajuda a desenvolver a história principalmente para autores iniciantes. É o famoso “me conta tudo no lugar de me mostrar” para facilitar a vida do autor e ajudar na identificação por parte do leitor. Levando em consideração o público-alvo da Kéfera – jovens que estão, muitas vezes, descobrindo agora a vontade de ler, o prazer que pode ser proporcionado por um livro -, esse formato faz sentido.

A voz de Jussara é muito similar a de sua autora. Cheia de atitude, desbocada e bem humorada, impossível ler sem ouvir a voz da Kéfera narrando a história. Isso não é ruim, tá? É coerente com a proposta.

Acompanhamos Jussara (apelidada como Sara) na busca de seu emprego dos sonhos. Embora ela esteja pagando contas como costureira, seu sonho é ser estilista e as portas vão se abrindo aos poucos para ela. Outro sonho também era se casar com o namorado, que é um belo safado! Jussara está se aproximando dos 30 anos e está vendo amigas – e não tão amigas assim – casando e formando família e tendo êxito em seus trabalhos. É aquele clássico momento que a mulherada mais madura já passou ou está passando e que as jovens ainda não temem, o momento “ai meu Deus, o que eu fiz com a minha vida eu vou morrer sozinha e me odiando alguém me ajuda”. Também conhecido como “insegurança”.

E foi muito interessante ler esse lado da Kéfera. Foi legal ver a jovem mulher que se apoia em palavrões e polêmica mostrar seu lado mais vulnerável por meio de personagens. Além de estar se expondo bastante ao escrever seu primeiro romance porque, sim, sabemos que será julgada, não é mesmo?

Em suma, “Querido dane-se” não é surpreendente, mas ele não foi escrito para ser. O livro cumpre o seu papel de divertir e abordar temas atuais como autoestima e insegurança. Fãs da autora vão curtir e quem não é fã não vai odiar e pode até gargalhar em algumas partes e se identificar com outras.

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