Questão de Pele

questao de peleA Editora Língua Geral é uma das minhas preferidas. Além de fazer os livros do tamanho perfeito para carregar foi nela que descobri vários novos autores. Na Primavera dos Livros sempre me abasteço de muitos títulos no stand deles e no último ano comprei os três livros da coleção Língua Franca. Os três livros são coletâneas de contos e cada um com um tema, o do livro que é tema desta resenha é o preconceito racial.

Duas coisas me fizeram começar a ler essa coleção por esse volume. O primeiro é que tive um grande professor de literatura no colégio que montou o seu programa de ensino com o tema do preconceito racial. Li um livro que me traumatizou , “O Mulato”, e ao mesmo tempo tive debates maravilhosos em sala de aula que me ensinaram muito mais do que só literatura. O segundo elemento é que queria escolher um livro de contos com um quê a mais para o desafio de leitura de 2015 que lançamos aqui no CdL no começo do ano.

A idéia da democracia racial é bastante difundida no Brasil, a ideia de que como aqui somos misturados, resultado do darwinismo racial Português, não existe preconceito no país. Essa ideia é uma falácia, o preconceito racial é super presente no nosso dia-a-dia e precisa ser debatido e enfrentado. O texto introdutório de Luiz Ruffato apresentando esse volume é um retrato da pouca representação do negro na nossa literatura e como um tema tão importante é negligenciado.

O livro é composto por treze contos de diversos autores de diferentes épocas e todos tendo negros como protagonistas. Pelo menos um dos contos eu já conhecia, “Pai contra Mãe” de Machado de Assis, esse conto é um dos meus preferidos da obra de Machado. Adoro o fato de que a igualdade entre os personagens é dada no título, a escrava e seu caçador são apenas pais nos olhos do escritor. Os demais contos eu desconhecia e de alguns gostei muito (“Manchete de Jornal” é ótimo), de outros nem tanto, mas no todo foi uma grande leitura, uma que me fez querer buscar mais protagonistas negros no que leio. Não é fácil, mas estou me esforçando.

Para fechar o livro com chave de ouro Ruffato coloca o raro depoimento de um escravo que passou pelo Brasil e conseguiu a liberdade nos EUA. É raro vermos esse tipo de relato feito por alguém que viveu a barbárie que foi a escravidão. Esse é um daqueles livros que precisam de maior divulgação, de mais pessoas lendo-os. Em breve lerei os dois outros volumes da coleção, um sobre corrupção e outro sobre diversidade sexual.

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