Rebel in the Rye

Tivemos a oportunidade de ver o filme “Rebel in the Rye” (veja o trailer) que conta a história de como J.D. Salinger escreveu o clássico “O Apanhador no Campo de Centeio”. Sentei para ver o o filme sabendo apenas que Salinger era um recluso e que escreveu um clássico e isso contribuiu para a minha experiência. O filme é baseado no livro “J. D. Salinger: A Life de Kenneth Slawenski e faz um recorte na vida de Salinger de um pouco antes dele ir para a Segunda Guerra Mundial até desistir de publicar seu trabalho.

Salinger é vivido por um Nicholas Hoult com lentes escuras nos olhos. Fazia tempo que não via Hoult como protagonista, desde a ótima Skins, e é sempre bom ver que ele é alguém que pode sim sustentar um filme. Não é uma interpretação brilhante, falta um pouco de perturbação e de um Salinger traumatizado no pós-guerra em seu trabalho, mesmo assim ele sustenta o peso de viver alguém do peso de Salinger. O filme paga o preço de ter como protagonista Kevin Specey como Whit Burnett, professor e mentor de Salinger na juventude. Specey virou persona non grata na indústria e isso acabo, de certa forma, com a carreira que esse filme pudesse ter. O filme é dirigido e escrito por Danny Strong que aqui faz sua estreia.

Tudo no filme é um pouco superficial, o jovem Salinger que tinha um romance com Oona O’Neil e foi trocado por ninguém menos do que Charlie Chaplin enquanto estava na guerra, todo o trauma dele ao ver seus companheiro morrendo durante o combate, a sua internação no pós-guerra. Todos esses acontecimentos são citados mas não completam o quebra-cabeça que fez Salinger dar um romance a Holden Cauldfield e entrar para a história da literatura. Vemos como seu pai não acreditava que literatura pudesse ser uma carreira e como a única pessoa que o incentivava era sua mãe. Esse conflito familiar é o melhor explorado ao longo do filme.

Todos os seus traumas e a sua transformação de jovem que curtia as noites de Nova York em alguém incapaz de uma interação social é toda quebrada e sem muita uniformidade no filme. Salinger publicou pouco e decidiu passar a vida escrevendo sem receber vender nada do que escrevia. A pressão de um segundo livro de sucesso, a perseguição dos fãs, tudo contribuiu para a sua reclusão e isolamento. O retrato que se faz é do clássico artista atormentado, o gênio incapaz de fazer qualquer coisa que não seja a sua arte. É um filme que aplaca um pouco a curiosidade sobre o escritor sem ser uma grande obra, Salinger continua bem maior do que sua representação nas telas.

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