Robôs x Fadas

O título é no mínimo curioso, e por si só já chama a atenção. Poderia ser um desenho animado ou um filme do SyFy. Mas percorrendo as listas de melhores contos fantásticos do ano, ele aparece várias vezes. É uma antologia que se propõe exatamente a isso: confrontar fadas e robôs, fantasia e ficção científica. Está disponível somente em inglês, mas achei que valia aqui uma reflexão sobre esses dois tipos de personagens fantásticos.

Os editores Dominik Parisien e Navah Wolfe juntaram um timaço de escritores: Seanan McGuire, Ken Liu, Mary Robinette Kowal, Lavie Tidhar, Tim Pratt, Sarah Gailey, Madeline Ashby, John Scalzi, Catherynne M. Valente, entre outros, e cada um escolheu um lado. Depois de cada conto, vem a justificativa do autor.

Assim, temos três robôs de John Scalzi explorando uma Terra pós-guerra nuclear num conto adaptado na série “Love Death + Robots” da Netflix. Seanan McGuire cria um parque de diversões onde a magia é real mas que está ameaçado por contadores. A fábrica desastrada de robês de Ken Liu está recheada de referências a obras clássicas de autores como Isaac Asimov e Vernor Vinge. Annalee Newitz mistura os dois lados com um drone que age como a Fada Azul de Pinóquio e dá consciência a um robô de uma fábrica, na esperança de fomentar um levante de trabalhadores-robôs. Mas o robô RealBoy tem ideias próprias…Sarah Gailey conta a relação de dependência e sadomasoquismo entre uma fada e um garoto que ela tenta encantar. O personagem doente de Jeffrey Ford acompanha com atenção uma aventura de seres minúsculos que precisam escalar a estante de livros dele numa missão perigosa. Sobra até uma alfinetada no Paulo Coelho…

Antologias temáticas correm sempre o risco de ficar repetitivas, mas aqui a variedade é que reina. Tem humor e terror, diversão e reflexão. Se os robôs servem para nos fazer pensar no que nos torna humanos, as fadas (e outros seres mágicos) atuam como tricksters, aquelas figuras da mitologia que às vezes induzem os humanos a transgredir as regras e mostrar quem realmente somos. Assim, em vez de estarem em campos opostos, robôs e fadas se complementam para falar de nós, humanos.

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