Safe Place

A frase de Stephen King que está na abertura de “Fica Comigo” – ˜você nunca terá amigos como os que teve aos oito anos de idade”- é dessas de impacto e que cria todo um universo que idealiza a infância e os laços criados nessa fase da vida. O interessante é que nesse conto ou no livro “IT” que também conta com um grupo de amigos da primeira infância, essas relações não são verdade na vida adulta. Tive grandes amizades ao longo da vida, mas foram as que forjei na adolescência, na sua maioria, que permanecem.

São em tempos em que as sombras parecem mais escuras e densas  que se descobre dentro de si e no entorno quem forma a sua rede de segurança, ou como falou um grande amigo, o seu “safe place”. Ando pensando bastante no que faz  amizades duradouras e se essas relações podem ser formadas ao longo da vida da mesma forma que aconteciam na infância e adolescência. 

Um amigo disse um vez que somos na essência sempre os mesmos e que se alguém nos conhece na infância e lá fez uma avalição nossa essa pessoa está certa, sempre. Concordo plenamente com ele e acrescento que as amizades forjadas na adolescência que perduram e sobreviveram a mudanças tão drásticas de nós tem um potencial enorme de seguirem pelo resto da vida.

Mas afinal por que é assim tão importante ter amigos de infância? É alguém que compartilha memorias, que esteve ao seu lado em momento horríveis, maravilhosos e corriqueiros. É alguém para se virar para o lado e falar “Lembra?” e ter como resposta “claro” ou então “você está lembrando tudo errado, o que aconteceu foi assim”.

Tenho o privilegio de ter um safe place numeroso e que sempre me surpreende quando preciso deles ou mesmo quando nem sei que tenho essa necessidade. Vejo-os bem menos do que gostaria, a tecnologia os traz pra perto em mensagens que, invariavelmente, acabam em brincadeiras internas, declarações de saudade e planos, infelizmente nem sempre executados, de nos vermos o mais rápido possível.

A vida de adulto além de ter boleto tem um mar de compromissos que atrapalham a frequência com que nos vemos assim ao vivo em carne e osso. Eu sou a mestra de encontrar razões meio loucas para nos isso. “Vamos ver o amistoso da seleção feminina de futebol juntos?” (metade do grupo não gosta de esporte), “Vamos tomar um chopp hoje?”(parte do grupo não bebe). É tudo desculpa de ver, falar, rir, implicar, fazer piadas internas e simplesmente conviver com essas  pessoas mais de perto. Saber que elas estão lá, que eu estou lá para elas, que pertencemos.

As mensagens, nem sempre diárias, aquecem mesmo sendo bobagens, mas são os momentos perto que revigoram, que acalentam e que se avolumam no mar de historias que temos para contar. São pessoas que me conhecem, provavelmente, melhor do que eu mesma, estão entre as primeiras ligações  nos melhores ou piores momentos. São pessoas para quem se liga efetivamente para conversar ou que percebe quando você está mais em silencio do que o normal.

Quem disse que um filme de terror baseado em um livro que tem um final péssimo não é capaz de gerar de tratado sobre a importância do Grupo Manga, dos Knights e de um punhado de outras pessoas na minha vida?

Uma cena para ilustrar a importância de um deles, o que me aguenta desde os 4 anos. Quando fui operada e todo mundo queria saber como eu estava, eu, ainda completamente grogue de anestesia, precisei falar apenas “O Di está em todos os grupos, ele avisa.”  

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