Se eu ficar

Quando o filme consegue ser melhor do que o livro


Fiz questão de não ler o livro “Se eu ficar”, de Gayle Forman (Novo Conceito), antes de assistir ao filme (Warner). Fui à cabine de imprensa somente sabendo a sinopse do filme: menina perde família em acidente de carro e precisa escolher se segue a luz e fica em paz ou se acorda e enfrenta a dor da perda, mas o amor de seu namorado, avós e amigos.

Fui já sabendo o que ela iria escolher, até porque é meio óbvio, mas queria ver o desenrolar da história. E me surpreendi. Mia (interpretada brilhantemente por Chloë Grace Moretz, de “Carrie, a Estranha” e “Deixe ela entrar”) é uma jovem música muito talentosa. Toca violoncelo como ninguém enquanto sua família inteira é super roqueira. O contraste já encanta, porque logo de início vimos uma família unida pela música, mesmo que seja de estilo diferente. A química entre os atores é sensacional e os diálogos – que são muito similares aos do livro – funcionam muito bem.

Tudo vai bem até Mia se apaixonar pelo roqueiro da escola, Adam (também muito bem interpretado por Jamie Blackley, de “Branca de Neve e o Caçador”). E Adam se apaixona por Mia de cara, também se unindo a ela por meio da música. E os diálogos dos dois podem parecer muito forçado para quem não é adolescente, mas soa de maneira perfeita para quem quer se apaixonar, para quem ainda se deixa emocionar por filmes como este.

E a história segue – como no livro – alternando entre o presente (Mia no hospital, em coma) – e os flashbacks, que trazem o background dos personagens e suas histórias.

Chorei BALDES e não somente por causa do romance, mas pelo lado da família. Como fomos apresentados a uma família incrível e já sabemos que eles não vão ficar por aqui, no mundo dos vivos, é muito, muito triste. Uma das cenas mais tristes é entre Mia e seu avô. Chorei demais! E no livro é a mesma coisa! *pausa para o lencinho*

Mas tanto o livro quanto o filme não falam somente de amor e de família, mas de sacrifício e o que você faz por aqueles que ama. E isso acontece desde vender seu instrumento musical para comprar um para um filho ou abrir mão de algo porque alguém precisa de você. E isso é lindo e duro e triste e real. E é isso que encanta tanto no livro quanto no filme.

Achei a narrativa do livro um pouco truncada, um pouco “deixa eu falar tudo logo porque você precisa saber agora ai meu Deus eu não posso esperar”. E erros de tradução e de revisão feriram um pouco também. Mas acho que a razão principal de ter gostado mais do filme do que do livro foi mais simples: acho que o vai e vem no tempo ficou mais claro no filme do que na narrativa. Fluiu melhor e foi muito, mas muito bem executado. O filme ficou redondinho e muito bem feito. Já o livro ficou mais frio, até porque Adam e Mia têm mais problemas no livro do que no filme. Outro ponto positivo para o filme, além de equilibrar esses “problemas” de melhor maneira, foi sua Mia: mais pé no chão do que a do livro sem deixar a sua principal característica – a que move o livro – para trás: a indecisão. Mia quer que outros tomem decisões por ela porque ela não quer errar, mas todos sabemos que isso é impossível, que é necessário lidar com as consequências. E é por isso sua batalha inicial: acordo ou sigo em frente?

Dica: vale ler “Se eu ficar”, mas veja o filme primeiro para sentir o total impacto dele. Aí leia, porque tem mais para saber do que o que o filme mostra. Ah, e ainda esse ano a Novo Conceito vai publicar “Para onde ela foi” o livro que dá sequência a história, mas é contado pelo ponto de vista de Adam. Mais um incentivo para ver e ler!

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5 comentários sobre “Se eu ficar

  1. Frini

    Como sabe estou lendo o livro agora, não consigo ver o filme antes porque esse livro está me olhando há dias. Mas vou fazer a seguinte experiência. Minha mãe vai comigo e não leu ,. e ela disse que lerá depois. Vamos ver se sente o mesmo.
    Que pena que o livro está com esses erros, como estou na página 40 acho que por enquanto me passou despercebido ( pena que nem td livro é traduzido pela Regiane!) . A atriz , acho fantástica e uma das melhores da geração.
    Muito boa sua crítica, a vontade de ver só aumentou. Ainda mais porque se tem família envolvida é choro na certa para mim.

  2. O livro estava na fila para ler, mas depois que te ouvi no último Clube do Livro decidi deixar ele esperando um pouquinho mais. Adorei a sua resenha e o mais engraçado, é que você mencionou a Mia como sendo dos filmes “Carrie, A Estranha” e “Deixe Ela Entrar”, mas toda vez que olho para ela me vem na mente a personagem Hit Girl, do filme “Kick Ass”. Aquela menina é ela quando mais novinha não é… Acho tão parecida… 🙂

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