Sharp Objects – Minissérie

Quando a HBO anunciou que iria adaptar “Objetos Cortantes” para a TV e que quem seria responsável pela adaptação seria a própria Gillian Flynn comecei a contar os dias para a estreia. É o livro que tinha mais esperança de ganhar uma ótima adaptação e tinha certeza que seria conquistada no primeiro minuto, não foi o que aconteceu e isso não é de todo ruim.

Flynn como escritora consegue criar personagens femininas espetaculares, complexas e bem distantes das mocinhas que abrigam a maioria dos livros. Suas protagonistas são tudo menos boas e é aí que está o seu grande trunfo no livros: a complexidade de suas mulheres. Isso é algo que funciona muito bem em um livro e nos livros de Flynn em particular, mas ao tentar transportar esse elemento como o foco principal na TV ela pecou. A série é sobre assassinatos em uma pequena cidade e passamos boa parte dos oito episódios envoltos nos problemas e traumas das mulheres Preaker/Crellin do que entendendo o crime.

“Sharp Objects” é sobre como uma jornalista, Camille (Amy Adams) volta para a sua cidade natal para cobrir uma série de assassinatos de jovens. Esse deveria ser o foco da trama e toda a força e tormenta das mulheres que cercam a história. Toda a complexidade dessas mulheres deveria ser construida aos poucos ao longo da investigação e não como ocorre nessa adaptação. Aqui os assassinatos ficam no pano de fundo e as mulheres ali são mais importantes. Camille, Amma (Eliza Scanlen) e, principalmente, Adora (Patricia Clarkson) são fundamentais para a resolução dos crimes, mas como tudo foi construído faz com que a primeira metade da série seja muito lenta, dessas que você até acha interessante mas deixa para outro dia e não aquela que você tem que assistir em uma maratona.

É quando a segunda metade da série começa, quando os crimes começam a ser centrais que a ela começa a ficar empolgante. As reviravoltas, que duram até o ultimo segundo, são típicas de Flynn e um dos elementos que fazem seus livros serem tão bons. É nesses quatro episódios finais também que brilham, e muito, Amy Adams e Patricia Clarkson. A relação conturbada de Camille e Adora (que nome perfeito) e como ela se desenvolve levando aos assassinatos é horrível e maravilhoso ao mesmo tempo. Os embates entre mãe e filha ofuscam a Amma de Eliza Scanlen que, pela importância que tem na história, deveria brilhar um pouco mais como a menina mimada e cruel, ela fica apenas chata e melhora um pouco no final quando suas colegas de cena começam a brilhar com mais intensidade.

“Sharp Objects” tinha tudo para ser uma série nota 10, acabou ficam com um confortável 7. Acima da média e mesmo assim aquém de seu potencial. A HBO não tinha certeza se ela seria uma série ou uma minissérie e isso explica o final ambíguo. A recepção morna acabou determinando que ser trata de uma minissérie. Se você ficou em dúvida sobre o final vou apenas dizer que sim, há mais criminosas do que se poderia imaginar (propositalmente enigmático para não dar spoiler).

 

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