Sob a Redoma

Stephen King é uma espécie de grife para historias de terror. Como muitos eu o conheci mais pelo cinema e a tv do que pelos livros. Ele é culpado por eu achar palhaços assustadores e achar que Jack Nicholson meio louco. Mesmo tendo amigos muito próximos que devoravam seus livros desde que me entendo por gente só fui le-lo muito recentemente dentro do meu projeto “hora de ler clássicos esquecidos por mim”. Comecei pelo maior de todos “O Iluminado” e gostei bastante, mas foi ao ler “11/22/63” Que me encantei com a sua literatura. Agora no terceiro livro gosto ainda mais do que leio.

“Sob a redoma” é um livro que reflete o mundo em que foi escrito, o livro só chegou no Brasil agora mas foi lançado em 2009, mostra como a sociedade americana está dividida, mostra a ascensão do Tea Party, a hipocrisia , a religião e coloca em perspectiva algo que William Golding já havia mostrado no clássico “O Senhor das Moscas”. É ver a sociedade americana, ou pelo menos o que o Stephen King pensa da sociedade americana, com lente de aumento em um ambiente controlado. Não se engane esse livro é uma critica social e não uma simples ficção.

O enredo é até simples: uma pequena cidade americana, Chester Mill, da noite para o dia é cercada por uma barreira invisível, a redoma. O que acontece depois disso é que torna a historia interessante. A megalomania de Rennie, a submissão de Sanders, a importância do jornalismo representada por Julia. Mostra o poder da demagogia, mostra como é possível manipular as massas – e não, não é culpa da imprensa -, como a disputa do poder pelo poder pode ser destrutiva e, principalmente, como nascem estados despóticos. Em uma época em que boa parte da literatura para jovens se passa em sociedades despóticas estabelecidas é interessante ver alguém mostrando como elas nascem.

Dentre os muitos pontos altos do livros está o narrador onipresente que segue diferentes personagens ao longo das paginas. Esse recurso faz com que, mesmo tento um herói claro, Dale Barbara, ele tenha menos destaque de tempos em tempos. Isso faz com que a historia fique mais dinâmica e que, do meio para o final, mostre como os nativos de Chester Mill são os responsáveis pela resistência e não alguém de fora, no caso, Barbara.

Não querendo dar spoiler vou apenas dizer que tenho problemas com um ponto do final do livro. Acho uma resposta fácil para os problemas que se apresentam, essa solução de King não chega a manchar a qualidade do livro, mas, para mim, é um problema. Tirando esse detalhe “Sob a redoma” é um ótimo livro e vale investir tempo nas mais de 800 paginas.

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