Sobre dar baixa nas estantes

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O pesadelo de abrir espaço na estante.

Quando vai chegando o final do ano é hora de dar baixa no armário e nas estantes. O primeiro é bem mais simples do que o segundo. Dar baixa nos livros, decidir o que fica na biblioteca particular e o que vai para a doação é um tortura, mas elaborei uma técnica. São três pilha: fica; vai ; pensar.

Tem livros que não precisa nem pensar, permanecerão na minha biblioteca até o final dos tempos. Estão entre esses a coletânea de contos do Rubem Fonseca, “A Sombra do Vento”, “Uma Vontade Louca” e “Reparação”. Esses vão para a pilha do fica direto.  Pertencem a essa pilha também os livros autografados (vale uma coluna a parte); as coleções (Harry Potter, Millenium, Brumas de Avalon, por exemplo); as edições especiais ou lindas (Cosac Naify impera nessa categoria) e os grande clássicos tipo “Dom Casmurro”, “Os Maias” e “Razão e Sensibilidade”.

estante

A complicação começa no restante da estante. Tem aqueles livros que ficaram no ano anterior e que agora não faz o menor sentido na minha cabeça permanecerem. Entram nesses caso livros como “O Substituto” e “Resposta Certa“. Eles ganharam sobrevida  porque adoro coleções completas de um mesmo escritor, mas na pratica não merecem estar ali, “Um Dia” mora no meu coração mas os romances subsequentes não são lá essas coisas, eles foram ficando enquanto existia espaço, agora que os livros do McEwan estão precisando , lá se vão os dois para a pilha de doação.  Tem aqueles livros que comprei ou recebi ao longo do ano que até foram boas leituras mas não a ponto de ganhar um espaço nas minhas concorridas estantes.

A mais complexa das pilhas é a Pensar. É a pilha que tem que passar por duas etapas, precisa de um segundo passar de olhos e a que fica pelo chão por mais tempo. Não sou muito indecisa, mas quando a questão é livros a situação fica complexa. Passo horas pesando, pesando prós e contras e muitas vezes eles acabam ganhando uma sobrevida. Quem acaba na pilha do pensar tem grandes chances de ficar na biblioteca, a análise livro a livro dá um mega trabalho e é ao mesmo tempo a parte mais prazerosa desse trabalho. É nesse momento que lembro não só da leitura, mas de como o livro chegou a minha mão, o que achei dele, essas coisas.

O livros que acabam na pilha para doar recheiam a cesta que o Cheiro de Livro entrega na Biblioteca Municipal de Botafogo todos os anos, faz parte da nossa campanha Doando Historias (em breve post sobre a doação). Tirar os livros da estante, fazer com que eles circulem, que encontrem um leitor que se apaixone por eles é um pouco difícil pra mim, mas faço o exercício todos os anos. Assim consigo criar uma biblioteca pessoal mais e mais com a minha cara e ao mesmo tempo ajudo a incrementar as estantes de uma biblioteca pública, é uma situação em que todos ganham. Doe livros você também!

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