Superfandom

No meu livro “Sou fã! E agora?” usei a definição do autor John Green para explicar o comportamento nerd/geek/fã: ser entusiasta do talento alheio. Ou seja, nos empolgamos com um filme, um livro, um seriado, uma música ou vários de tudo isso e muito mais. Aplaudimos o talento alheio e o que nos faz sentir porque ele, de alguma forma, completa alguma lacuna (ou lacunas) que temos na nossa vida. Isso quer dizer que somos incompletos? Ué, e não somos todos? Perfeito é só quem já morreu porque não tem mais jeito de mudar! Então, sim, somos incompletos e estamos sempre buscando a melhor versão de nós mesmos e fãs fazem isso – consciente ou inconscientemente – através do que admiram. E é disso que trata o livro “Superfandom: Como nossas obsessões estão mudando o que compramos e quem somos”, de  Zoe Fraade-Blanar e Aaron M. Glazer (tradução de Guilherme Kroll), publicado no Brasil pelo selo Anfiteatro da Editora Rocco.

Quando falamos sobre “quem somos” também acabamos entrando na arena do “o que compramos/consumimos” e disso os autores do livro entendem bem.  Zoe Fraade-Blanar é designer e especialista em tecnologia e Aaron M. Glazer, seu marido, é jornalista e consultor empresarial especializado em negócios. Ambos são donos da Squishable.com, empresa de brinquedos de pelúcia que vende pela internet e conta com uma comunidade de fãs enorme. Eu nem sabia que ela existia até ler a apresentação do livro, que traz um caso curioso sobre fãs da empresa e um furacão nos EUA. Antes do fim da leitura, já havia entrado na internet e comprado três produtos da Squishable, que já chegaram e já estão no meu instagram. Pois é, fã consumista é complexo!

Como estamos na semana do Dia do Orgulho Nerd (25 de maio), nada mais adequado do que abordar esse tema aqui. Recebi o livro da Editora Rocco ano passado, mas acabei só lendo agora porque aproveitei o Clube do Livro com a temática “Livros e seus fandoms” para engatar a leitura. E, claro, não esperava que o fim de “Game of Thrones” fosse ajudar no papo, mas tudo deu certo (ou não … que temporada péssima!).

Enfim, o livro traz uma síntese histórica e sociológica do mundo dos fãs. Ele faz isso usando alguns casos para ilustrar o que estão abordando e destrinchar como e quando o fã passou a ser considerado peça fundamental nos negócios e na economia. O único problema nessa narrativa é que muitos dos casos que eles contam não traduzem bem para o Brasil. Por exemplo, falam muito de um evento medieval que rolou, mas que não temos aqui. Os exemplos que “viajam bem” para cá são poucos e isso afasta um pouco o leitor. Dá para a gente ler, entender e adaptar com algo que conhecemos ou vivenciamos, mas não é tão próximo como estava esperando.

Aaron e Zoe trazem muitos dados incríveis e reflexões sobre o fandom que vale muito a leitura e o debate. Como, por exemplo, a diferença entre consumidor e fã, e como nem sempre o fã tem razão sobre tudo e como o detentor do objeto do fã (ex: as empresas de game, os autores de livro, os estúdios de cinema etc.) precisam respeitar, mas também focar nos negócios e na propriedade intelectual e não nas vontades dos fãs, porque nem sempre tudo isso está indo para o mesmo lugar. E o tom de narrativa deles é bastante acadêmico, o que é coerente com o livro, mas pode arrastar a leitura.

Então, se você é leitor descompromissado com o assunto pode achar o livro meio chato, embora tenha conteúdo muito bom. Mas se você é um leitor pesquisador ou que quer estudar o fenômeno fandom o livro é uma necessidade na sua lista de leitura, porque, embora tenha esses exemplos mais longínquos como expliquei, ele é um excelente ponto de partida para buscar seus próprios exemplos, pesquisas e experiências. Ou seja, galera do TCC, monografia, tese: estamos juntos e shallow now!

Curti a leitura e vou abordar muito do que eles falaram em “Superfandom” no Clube do Livro de maio . Além desse título, quem quiser cair dentro do estudo de fãs, busque os títulos “FIC: por que a fanfiction está dominando o mundo” (Anne Jamison e tradução de Marcelo Barbão, Editora Rocco), os livros do autor Henry Jenkins (Editoras Aleph e Marsupial) e, claro, o meu “Sou fã! E agora?” (Editora Seguinte). E depois me contem aqui nos comentários o que acharam!

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