The Long Walk

Antes de Katniss Everdeen participar dos Jogos Vorazes como tributo do Distrito 12, outro adolescente precisou passar por uma prova mortal em um futuro distópico, porém criado por Stephen King. Ray Garraty e outros 99 meninos adolescentes representam os melhores dos EUA para participar de uma maratona mortal que só acaba quando apenas um deles permanece vivo.

Em 1979, sob o pseudônimo de Richard Bachman, King criou uma história sobre uma caminhada que começava na fronteira do Maine com o Canadá e só acabaria quando sobrasse apenas um último participante. Essa história acontece em um futuro próximo, em uma distopia que os programas de variedades de televisão eram brutais, um vislumbre do que poderiam ser os reality shows. 100 adolescentes, escolhidos por seus dotes físicos, se encontram às 9h da manhã do dia 1º de maio e ali começa uma caminhada que não é permitido diminuir o ritmo, parar, sentir dor, nada. Quem desobedece às regras e sofre mais de três advertências, leva um ticket. Que bem cedo no livro descobrimos ser um tiro para matar. Contada do ponto de vista do adolescente Ray Garraty, de 16 anos e um dos participantes da Longa Caminhada, sabemos que é comandada pelo Major, que os meninos são acompanhados por soldados, que devem tomar conta que eles não quebrem as regras e que a caminhada é brutal, já que não há momento de descanso. Eles podem comer uma ração especial e beber água, enquanto caminham. Podem conversar, mas sem perder o ritmo ou se aglomerarem.  

A América de King é um Estado de Polícia, onde todos devem viver sob leis severas, por isso todos concordam que 100 de seus melhores jovens participem de uma maratona mortal. Nada disso é contado de forma explícita no livro, não há uma explicação porque a caminhada acontece e porque aqueles meninos participam com o aval de suas famílias. Apenas se sabe que o ganhador terá uma vida de riquezas até o fim. A Caminhada acontece há alguns anos já e é televisionada por todo o país. Além de ser comum ter pessoas esperando pela passagem dos meninos, pelo caminho. King já começa seu livro mostrando Garraty chegando para participar da caminhada e a partir daí só narra todo o percurso, mostrando o humor dos outros meninos. Enquanto narra a caminhada, que dura mais do que todas as outras que já aconteceram, o autor vai, também, montando sua história. Contando sobre os principais participantes, sobre os lugares que eles vão passando, a multidão, os soldados e até o Major. Assim, mesmo que o livro inteiro aconteça durante uma maratona que atravessa o Maine, ele segura a atenção o tempo todo. Não apenas porque queremos saber se Garraty vai chegar até o fim, mas o que levou àquela situação.

Nos anos 1960, canais de televisão por todo os EUA, organizaram caminhadas de 50 milhas por todo o país. Viraram uma febre pelo país e até o próprio King participou. Essas caminhadas e os programas de variedades que davam prêmios, foram as inspirações para o autor escrever seu livro. Porém a visão de King é pessimista, principalmente quando ele é Richard Bachman. Seu livro é angustiante ao mesmo tempo que a história é impossível de largar. A cada milha que os meninos avançam, mais perigosa a caminhada se torna e mais nos apegamos aos personagens, tornando cada vez mais difícil avançar na leitura. Só que King sabe que a curiosidade de saber quem vai conseguir chegar ao fim é mais forte. Não há nenhum ser sobrenatural neste livro, apenas um jogo cruel criado por homens sádicos. Uma história difícil e, infelizmente, muito atual.

The Long Walk foi publicado como parte dos Livros de Bachman, que está esgotado no Brasil. Na semana passada foi anunciado que ele será adaptado para o cinema pelo diretor André Ovredal, com lançamento previsto para o ano que vem.   

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