The Night Circus

“The Night Circus” é a nova grande aposta do mercado literário americano para o público de YA (Young Adult). Li muito sobre o primeiro livro de Erin Morgenstern antes de tê-lo na mão, em todos os artigos sobre os rumos da literatura para adolescentes que debatiam o que aconteceria com o setor depois do lançamento do último filme da saga Harry Potter o livro de Erin era apontado como uma das boas possibilidades de grande sucesso. Depois do mundo da magia, o mundo do circo. Toda essa especulação criou em mim uma resistência ao livro, mesmo antes de seu lançamento, mas mesmo assim fui lê-lo e ele não é tão ruim quanto eu acreditava nem tão bom quanto querem vender. É um bom livro de estreia com algumas deficiências.

O grande mote é um jogo entre dois grandes mágicos, eles são mágicos de verdade não ilusionistas. Eles escolhem dois jogadores, no caso Celia e Marcos, e os treinam para esse jogo sem regras claras que um dia acontecerá. O circo do título é a arena usada para a disputa, mas ao invés de ser um duelo o jogo faz com que os dois mágicos disputem quem é mais criativo e ousado desenvolvendo atrações para o circo. As descrições dessas criações e a ideia para as tendas do circo dos sonhos é onde está o principal mérito de Erin. Toda a ambientação é espetacular e dá uma vontade enorme de entrar no circo e se perder em suas tendas.

Toda a delicadeza e profundidade que as criações para o circo contrastam com a superficialidade dos personagens e suas tramas. O relacionamento de Hector e Alexander é pouco explorado, toda a angustia que deveria permear a vida de Celia e Marcos é ignorada e, para mim o pior, a não explicação do por que Bailey é o escolhido é quase inaceitável. O problema não é o desenvolvimento dos personagens é a relação entre eles, tudo se soluciona com simplicidade demais e razão de menos. A história tinha como ser infinitamente mais interessante, as bases estão todas lá, mas é como se Erin estivesse mais preocupada com o circo do que com seus habitantes.

O contraste entre historias eu precisavam ser desenvolvidas e uma riqueza de cenário geram um livro mediano. O final do livro é um pouco decepcionante com a falta de clímax e uma conversa, daquelas que o Lumet chama de “patinho de borracha” (quando o mal do filme ou do livro explica todo o seu plano e o porquê), fechando a narrativa. No todo é um livro mediano, interessante e só, nada dessa maravilha toda que o mercado literário americano está tentando vender.

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