Todos os Homens do Presidente (1976)

A primeira vez que assisti a “Todos os Homens do Presidente” eu era uma pré adolescente cinéfila e não conhecia nada da história americana e o que o filme retrata e mesmo assim o filme de Alan J. Pakula me deu aquela empolgação pelo trabalho jornalístico. Anos depois, já decidida a fazer jornalismo e com bem mais conhecimento do assunto retratado, revi e me apaixonei ainda mais pelo que estava sendo apresentado. É um filme sobre o bom jornalismo, sobre o quarto poder mostrando o porque de existir e, em face de um governo corrupto, se impor as narrativas e mostrar os fatos. O filme é de 1976 e, infelizmente, se mostra mais atual do que nunca.

A história gira em torno do escândalo Watergate e os dois anos de trabalho dos jornalistas Carl Berstein e Bob Woodward no Washington Post que levaram a descoberta de uma organização dentro do governo Nixon que se valia de mentiras e espionagem para destruir seus adversários. A trama toda e o envolvimento de personagens importantes da administração ocorre em segundo plano, o que importa aqui é o jornalismo, é o correr atrás da noticia, é o buscar as fontes, o confirmar as informações e, principalmente, a responsabilidade em publica-las. O filme foi feito dois anos depois da queda de Nixon e conta com o conhecimento do público para explicar pouco a importância das pessoas envolvidas, isso prejudica um pouco o entendimento de quem assisti hoje, falta um pouco da perspectiva de quão grandioso é o que está sendo descoberto.

O filme é baseado no livro homônimo escrito por Berstein e Woodward e em entrevistas ambos disseram que os rumos do livros foram alterados por uma conversa com Robert Redford, que além de viver Woodward no filme foi quem quis levar a historia às telas. Redford aconselhou a dupla a contar os esforço jornalístico da investigação e não simplesmente os fatos que descobriram e é isso que está no livro e no filme. Redford e Dustin Hoffman, que vive Berstein, funcionam como dupla na tela, a calam de um e a aceleração do do outro formam uma força que corre para desvendar as mentiras de um governo, o espectador torce e o filme, mesmo um pouco datado continua relevante.

O mais impressionante de ver “Todos os Homens do Presidente” hoje é o quanto há de atual em algumas questões. Um governo que quer desacreditar a imprensa, que quer controla-la? Tire Nixon na questão e o substitua por Trump. Um jornal importante denunciando mal feitos de um governo, uma conspiração que, de alguma forma, foi responsável por esse governo chegar ao poder? Tire Watergate e coloque as ligações da campanha de Trump com o governo Russo. Trazendo mais para o nosso universo, vamos entrar em uma campanha eleitoral de 2018 e teremos uma guerra de versões e de fake news, será difícil distinguir nas redes sociais o que é confiável e o que não é, na duvida faça como os Woodward, Berstein e o Post só acreditem depois de ter três fontes confiáveis confirmando os fatos.

 

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