Todos os Homens do Presidente

O escândalo de Watergate é desses icônicos no mundo das noticias. Dois jornalistas, Bob Woodward e Carl Bernstein do Washington Post, partiram de uma notícia de uma invasão a uma sala em um prédio na capital americana e terminaram, mais de dois anos depois, derrubando o presidente Ricaard Nixon. O caso é tão famoso que qualquer caso nos EUA envolvendo políticos ganha ganha um nome que coloca o “gate” no final, os mails de Hillary Clinton durante a campanha presidencial eram o Hillarygate e assim por diante. Meu primeiro contato com o caso foi vendo o filme de Alan J. Pakula “Todos os Homens do Presidente” e, como estudante já decidida a fazer jornalismo, ficando encantada com o trabalho dos dois jornalistas. Depois ao ler a biografia de Katherine Graham, publisher do Washington Post, e ter uma noção melhor das pressões que o jornal sofria e o clima que existia no governo Nixon fui correr atrás do livro em si.

“Todos os Homens do Presidente” é desses livros que todo o estudante de jornalismo deveria ler, mostra as agruras pelas quais Bernstein e Woodward passaram durante os mais de dois anos apurando a matéria. Mostra como o governo fazia muita pressão para desacreditar os jornalistas e os jornais e como, mesmo em momentos em que a história não andava, eles não desistiram de mostrar o que acreditavam – e estavam certos – um escândalo que derrubariam o governo Nixon. Foi só lendo que consegui compreender o mar de pessoas envolvidas na invasão do escritório do Partido Democrata e o quanto a Casa Branca e Nixon estavam envolvidos. Os dois contam detalhadamente todos os passos da apuração e suas dificuldades, é mais um livro sobre jornalismo do que sobre derrubar um governo mentiroso. É sobre a busca dos fatos e a importância de apresenta-los a população, enfim sobre o bom jornalismo.

Dentre os muitos legados dessa investigação jornalística está Deep Throat (Garganta Profunda), apelido tirado de um filme pornô que fazia sucesso nos anos 1970, a fonte de Woodward que os guiou em muitos momentos durante a apuração. Deep Throat disse ao jornalista outra grande máxima das investigações jornalísticas das décadas seguintes: “follow the money” (siga o dinheiro). Décadas depois de Watergate Woodward escreveu “O Homem Secreto” livro onde revela sua fonte a conta toda a sua relação com ele, é um leitura que complementa de forma interessante o entendimento de todos os aspectos do escândalo. Lembrando que em meio as reportagens Nixon conseguiu se reeleger mesmo com todas as suspeitas pairando sob seu governo. Em tempos de eleição aqui é sempre bom lembrar desse detalhe de toda essa história.

Ler sobre uma situação política que não se viveu apresenta o desafio de se compreender todo o contexto social e político. Ler as matérias que levaram a derrubada de um governo é ver só parte da cena. “Todos os Homens do Presidente” é um livro empolgante e me fez ler mais sobre o período e quanto mais eu lia mais entendia a magnitude do que que Bernstein, Woodward, Ben Bradlee (editor do jornal) e o Washington Post fizeram. Vale assistir ao ótimo documentário “Best os Enimies” (tem no Netflix) sobre os comentários políticos de Gore Vidal e William F. Buckley nos debates presidenciais de 1968, a campanha que levou Nixon a Casa Branca pela primeira vez. Não só é o inicio do comentário político na TV como mostra o contexto social que levou a vitória do Republicano em duas eleições.

Em tempo de Fake News, governos e políticos que gastam rios de dinheiro para criar narrativas que lhes favoreçam é sempre bom ler e entender como funciona o jornalismo e os esforços que uma apuração requer.

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