Toque de Ouro

Em seu novo livro – “Por um toque de ouro” -, a autora brasileira Carolina Munhóz trocou suas fadas por seus sapateiros, os leprechauns, aquelas criaturas mágicas do folclore irlandês que escondem um pote de ouro no final de um arco-íris. Mas Carol tem muito em comum com esses seres, pois tudo que toca realmente vira ouro.

por um toque de ouroCarol Munhóz vive o sonho de várias meninas: veio do interior para a cidade grande com um sonho de ser escritora. Escreveu “A Fada” e publicou de forma independente. O romance conta a história de como uma jovem descobre que é uma fada e as responsabilidades e sacrifícios que vem com essa descoberta. Um tanto amador, mas bem estruturado para o primeiro romance de uma menina. Então conheceu seu atual marido, o também autor Raphael Draccon, e se mudou para o Rio de Janeiro, onde publicou “O Inverno das Fadas”, “Feérica” (o único que eu não li!), reeditou “A Fada” e deslanchou com o sucesso – em coautoria com a atriz Sophia Abraão – “O reino das vozes que não se calam”.

Tudo foi rápido? Não. Carol é uma fada trabalhadora e que não descansa até conseguir o que quer. E isso é inspirador para seu público-alvo e tão necessário em um mundo no qual redes sociais são utilizadas como métrica para felicidade. Quem pensa que a vida da jovem autora é fácil e simples, se engana. E é exatamente por conhecer os bastidores que admiro sua trajetória.

A cada livro, Carol amadurece sua escrita e demonstra um equilíbrio excelente entre criaturas mágicas e temas jovens atuais, como suicídio, responsabilidade, aceitação, amizade, amor. Eu não sou o público-alvo da Carol e já falei para ela que fada pra mim só existe uma, chama-se Sininho e ela não fala! Mas li os livros da autora e entendi o fascínio de jovens por suas palavras.

Carol é realidade e fantasia ao mesmo tempo. E tem como ser diferente? A moça de cabelos longos e loiros e sotaque puxado no rrrrrrrr busca sempre o seu pote de outro no final do arco-íris e não descansa até encontrar outro e outro. Ganância? De jeito nenhum. Sonho realizado e novas missões em formas de livro.

Tudo isso nos traz até “Por um toque de ouro”. Em uma postagem recente no Instagram, Carol disse que o que a ajudou a ter a ideia para o livro foi a frase “Depois dizem que é sorte”. Me identifiquei muito! ODEIO quando trabalho e me empenho para conquistar algo e alguém vem, só vê o resultado final e diz “Nossa, que sorte!”. SORTE É O ESCAMBAU! Chama trabalho, filhota!

“Por um toque de ouro” traz como protagonista Emily O’Connell, a herdeira de um império da moda irlandês. Linda, rica, famosa e influente, Emily é uma jovem de 18 anos que está cursando a faculdade de artes cênicas, mas que não tem qualquer interesse além de festas e conquistas amorosas. Desprendida de namoro sérios, a jovem quer é se jogar de festa em festa sempre acompanhada de seu melhor amigo Darren (que é o melhor personagem do livro, by the way!). Só que Emily tem um dom especial chamado sorte. Se ela aposta, sempre ganha. Se ela quer, sempre consegue. Só que Emily não tem noção de que seu dom é algo que está sendo cobiçado e que pode ser literalmente roubado.

Ao conhecer de maneira complicada um ricaço americano chamado Aaron Locky, o coração da irlandesa se apaixona e sua vida muda drasticamente. Mas sua sorte também muda e Emily vai precisar de muita força para lidar com o que está por vir.

Ah, e “Por um toque de ouro” é o primeiro livro da Trindade Leprechaun. Ou seja, uma trilogia. E sabe o que a Carol fez no final do livro? Quebrou os corações dos leitores e deixou um gancho estilo Shonda Rhimes (se não sabe quem é, passa no Google e chora comigo)!

Carolina Munhóz repensou a lenda do leprechaun de uma maneira original e linda. Nada de velhos com aparência de um gnomo ruivo com fivelões. Nada disso, amores! Ser um leprechaun é herdar sorte em um nível astral e físico. É ser mágico, mas real. É ser um pouco a Carol e um pouco todos que trabalham muito e buscam ser boas pessoas.

A protagonista – Emily – começa o livro sendo uma princesinha mimada, mas ao longo da narrativa, torna-se mais complexa e de fácil identificação. Ela é sortuda, sim, mas é invejada demais até mesmo por seus amigos mais próximos. Menos por Darren, que é um personagem homossexual, melhor amigo ever, e com um humor incrível. Ser invejada nesse nível é horrível! Te torna um pária, sempre sozinho, sempre desconfiado se pessoas estão contigo por interesse ou por afinidade. E no final do livro …. QUE ÓDIO! Por mais que você não dê valor a um dom, ninguém tem direito de roubá-lo! NINGUÉM! E isso me dá muita raiva! Claro que não vou falar mais para não estragar, mas amores, é uma trilogia. O que esperavam que acontecesse?

Adorei ler “Por um toque de ouro” porque foi algo novo, algo fresco na minha lista de leitura. Estou esperando ansiosamente pelo segundo e muito feliz de poder contar com a Emily, com a Carolina Wales (leitores de “A Fada” entenderão), com a leprechaun Carolina Munhóz no próximo Clube do Livro Saraiva (para saber sobre o evento, clique aqui – https://www.facebook.com/events/1735605266666103/).

Que a sorte os acompanhe sempre!

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Um comentário sobre “Toque de Ouro

  1. Oi Frini 🙂

    Certamente não sou o público alvo da Carolina também, mas costumo ler tudo de adolescente porque gosto dessa comparação da minha época com a delas e de relembrar o como eu era…
    Comprei o livro hoje, vou no CL com ctz ver vocês e espero gostar muito dele também!
    Não conhecia bem como vc a trajetória da escritora mas sempre admiro autores que amam a literatura – seja ela sobre vampiros, fadas, duendes ou pessoas comuns – e que realizam seus sonhos através dela.
    Resenha na medida certa para me deixar com mais vontade de ler o livro ( mas acho que só consigo por causa do evento de sábado ler na semana seguinte , depois do CL) .
    Mas nos vemos lá o/
    bjão

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