Vivienne Westwood

 A estilista Vivienne Westwood é constantemente comparada a Coco Chanel, para alguns, essa comparação é meio estranha, já que Vivienne vem do movimento punk e trabalha com a desconstrução da moda, mas é nesse ponto que Westwood e Chanel se assemelham, ao de tornar a moda acessível, utilizável por nós, meros mortais. Chanel também pregava a desconstrução com seu lema “menos é mais”, já Vivienne destrói tudo e reconstrói como moda, de forma genial. Por apenas essa razão, por saber o quão interessante Westwood é, que já vale a pena ler sua biografia, Vivienne Westwood (Ed Rocco, selo Anfiteatro, 2016, 494 páginas), escrita por Ian Kelly, grande biógrafo inglês, e por ela mesma. Com excelente tradução de Helena Carone e Maryanne Linz.

Não se assuste com as quase 500 páginas, que fluem muito bem, já que o livro é um grande bate-papo entre Westwood e Kelly. Delicioso de ler, ele começa em seu primeiro capítulo com Kelly nos ambientando e explicando quem é aquela diva da moda, que com 73 anos não deixou de ser punk. Westwood se prepara para a semana de moda em Paris, para apresentar sua coleção Gold Label, o carro-chefe do grupo, onde moda e arte se mesclam em uma coleção de mais de 90 mil libras de peças de alta costura.

Kelly explica aos desavisados que aquele não é um livro sobre uma dama da moda e sim sobre uma “vovó punk que ainda está no ringue, lutando por aquilo que acredita ser certo e acredita ser belo”. Colore o capítulo com demonstrações do senso de humor de sua musa e quando estamos bem ambientados ele começa sua história. Então ele vai lá para o início de tudo e dá voz à sua personagem. Ali começa uma conversa maravilhosa de participar, com Westwood nos contando toda sua vida, a ida para Londres, o primeiro casamento, que ela mesma fez o vestido e vira a Senhora Westwood. A primeira coleção para loja “SEX” de Malcolm McLaren, daí para o mundo até chegar a essa dama preocupada com o mundo e com o meio-ambiente. Tudo ilustrado por fotos e colagens. O mais interessante é que Westwood é um trabalho em progresso sempre, como mostra o fim do livro, com sua cronologia, uma lista enorme de agradecimentos de Kelly, notas de citações e textos que a influenciaram, além do texto “Acabem com o Capitalismo” de Westwood. Um trabalho muito bem costurado que apresenta um quadro completo sobre essa estilista que se recusa a envelhecer mentalmente, que se preocupa com o mundo que vive e que é muito atual.

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