VOX

Imagine um país no qual o presidente eleito “prega” um movimento “puritano”.

Imagine que uma das ações desse presidente é abolir a voz feminina por meio da força.

Imagine que apenas em um ano, mulheres de todas as idades (incluindo crianças) não podem falar mais de 100 palavras por dia (sendo que a média diária é de 16 mil). E caso alguma desobedeça e fale a centésima primeira, ela receberá um violento choque elétrico vindo de um contador fixo no seu pulso.

Imagine que mulheres não podem mais trabalhar, ler, escrever, falar e que leis igualmente bárbaras também são aplicadas contra homossexuais (todos os gêneros) e para quem pratica sexo antes do casamento ou comete adultério (mas, nesses dois últimos casos, só a mulher é punida).

Infelizmente, dada a atual situação no nosso país, essa “imaginação” está próxima demais da realidade para ficarmos confortáveis, para virarmos a última página e passar para o próximo livro. É revoltante, angustiante e aterrorizante. Mas, como o livro mesmo diz, sempre há uma resistência.

“VOX” (escrito por Christina Dalcher e traduzido por Alves Calado) é narrado em primeira pessoa pela Dra. Jean McClellan. Durante o livro, ouvimos sua atual situação quase muda, mas também ouvimos seus pensamentos, vimos suas lembranças e sentimos sua revolta. “VOX” é uma distopia que trata de temas encontrados em nosso dia a dia, como o valor inestimável do nosso direito à liberdade de expressão, de ir e vir, de liberdade ponto!

É impossível não se revoltar com a situação de Jean até porque estamos muito, muito próximas dela. Me identifiquei muito com uma parte do livro na qual Jean lembra de que sua amiga a avisava que algo assim poderia acontecer, mas ela não acreditava e, em alguns momentos, não exercia o voto durante eleições governamentais.

Quantas de nós já não nos sentimos assim? Quantas vezes ficamos em casa por preguiça ou falta de convicção quando nossas amigas, irmãs, se uniam na rua para gritar por justiça? Quantas vezes anulamos o nosso voto ou votamos em branco (ou até justificamos) porque achávamos que não daria em nada? Mas tudo isso foi uma opção nossa, opção essa que nos foi tomada à força (no livro).

Assim como “O Conto da Aia”, “VOX” é atual, revoltante e necessário principalmente em um momento no qual não podemos nos deixar silenciar.

Curiosidade I: Assim que tiver o livro físico em mãos, veja a orelha dele. A sinopse foi escrita em apenas 100 palavras. E sim, deu MUITO trabalho!

Curiosidade II:  Esse livro é muito importante pra mim porque foi a minha primeira contratação na Editora Arqueiro quando passei a trabalhar lá, em fevereiro deste ano. Essa resenha é obviamente positiva não porque trabalho na mesma editora do livro ou porque estive envolvida na publicação do mesmo por aqui, mas porque ele me inflamou e acho que vai te inflamar também. Independente do  que aconteça após as eleições, o que importa é nunca se calar. Nunca!

Já leu “VOX”? Quer ler? Conta aí nos comentários. Aqui não tem limite de 100 palavras.

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