Vulgo Grace

Margaret Atwood é uma das mais respeitadas autoras canadenses, esse ano ela ganhou um status mais pop com a redescoberta de sua ótima distopia “Conto da Aia” sendo adaptada para a TV. Outro livro seu do final do século passado está sendo adaptado para o Netflix e com isso foi relançado por aqui e já começa a chamar atenção mais uma vez. “Vulgo Grace” (tradução de Geni Hirata) conta a vida de uma notória assassina canadense do século XIX, Grace Marks.

Grace Marks foi acusado de aos dezesseis anos ter matado a governanta da casa onde trabalhava, Nancy, e seu patrão, Sr. Kinnear com a ajuda de um outro empregado, Thomas. Atendo-me aos fatos históricos, Grace passou décadas na cadeia e acabou sendo perdoada. Não se desespere isso não é um spoiler, o que Atwood quer contar no livro é muito mais do que a saga de uma assassina e seu caminho para o perdão.

O livro começa já com Grace presa há alguns anos e a comissão que acredita em sua inocência contratando um médico, Simon Jordan, para escrever um parecer que ajude a conseguir a soltura da condenada. O que se segue é um relato de Grace, em primeira pessoa, sobre a sua vida desde a Irlanda até sua prisão. O crime e o que se segue importa pouco na narrativa,  o que Atwood faz é mostrar as poucas opções de uma mulher com poucas posses em um sociedade machista e patriarcal. O relato de Grace é o mesmo de milhares de mulheres das camadas mais pobres da população no Canadá no final do século XIX. As mulheres que a cercam, sua mãe, Mary, suas patroas e mesmo Nancy, são um apanhado do que a sociedade tem a oferecer as mulheres. Estão lá as moças de família que aguardam um pretendente, as mulheres desgraçadas por homens que as enganam, as abandonadas pelo marido, as que vivem em pecado e são alijadas da vida em sociedade e as assassinas e o fascínio que elas provocam.

Paralelo ao relato de Grace seguimos a vida do Dr. Jordan, um médico com sonhos de abrir um manicômio e que não consegue encontrar meios materiais para tal. A sua passagem pela pequena cidade onde Grace está presa e o que consegue fazer de sua vida serve como contraste com a condição feminina da época e, que muitas vezes,, se parece com o que ocorre até os dias de hoje. Há coisas que nem dois séculos conseguem mudar nas diferenças entre homens e mulheres na sociedade, infelizmente.

“Vulgo Grace” não foi uma leitura que fluiu com facilidade, teve um misto de atração e repulsa. Era uma dificuldade pega-lo para ler, me dava um quê de enfado. Uma vez ele aberto e a leitira começada não conseguia parar. Uma experiência estranha que só mesmo Margaret Atwood conseguiria me proporcionar.

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