Window Opens

window opensAlice é mãe de três filhos, trabalha meio período como colunista de literatura em uma revista de moda e tem um marido advogado em uma grande firma. Tudo vai muito bem até que o marido, Nicholas, se demite e ela tem que encontrar um emprego enquanto o novo escritório de Nicholas consegue clientes. Esse é o ponto de partida de “Window Opens”, um livro irregular de Elizabeth Egan.

Alice consegue um emprego dos sonhos para alguém que é apaixonada por livros, ela torna-se a compradora de lançamentos literários para um projeto inovador de um grande varejista que pretende lançar o Scroll, o “Starbucks das livrarias”. O espaço é para ser o local dos bibliófilos, com cadeiras para leitura, venda de primeiras edições e a melhor seleção de títulos que se pode ter. A construção da ideia do Scroll é a parte mais encantadora para os bibliófilos como eu, se a loja existisse seria cliente com toda a certeza. O problema é que esse primeiro momento de encantamento com o mundo dos livros é deixado de lado muito rapidamente.

O livro que começa prometendo uma história sobre uma amante de livro trabalhando em uma indústria em transformação acaba sendo um amontoado de clichês. A mulher que não sabe dividir o tempo entre a família e o trabalho, um marido que não consegue lidar com a nova situação financeira da família, uma empresa que se diz moderna e inovadora e que é tão arcaica como qualquer outra e, o pior, uma ideia de que livros físicos e digitais não podem conviver.

Alice torna-se o estereótipo da mãe que trabalha fora, ela está sempre culpada, não consegue acompanhar a vida dos filhos e é incapaz de estar presente durante a doença do pai. É como se em pleno os anos 2000 a mulher não possa ter uma vida profissional, a estrutura do livro parece com romances da década de 1980. É antiquado e isso prejudica a metade final do livro.

Alice tem uma melhor amiga que é dona de uma livraria e sente-se ameaçada pela Scroll. O que acontece então? Elas deixam de se falar. Ao invés de aproveitar esse conflito para elaborar diálogos sobre as pequenas livrarias e a venda online de livros, sobre as mudanças do mercado, Egan simplesmente afasta as amigas provando mais uma vez o quão antiquado são seus conceitos. Duas mulheres amigas independente de qualquer rusga não existe.

“Windows Opens” é daqueles livros que tinha um potencial incrível e que se perde no processo, é um desses em que o resumo é bem melhor do que o todo, infelizmente.

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