X-Men: Fênix Negra

Estava lendo muita coisa negativa sobre a nova adaptação da 20th Century Fox Films da Saga Fênix Negra – um jornalista chegou a dizer que “X-Men: Fênix Negra” consegue ser pior que a tentativa de Brett Ratner em 2006 com “X-Men: O Confronto Final” – difícil, meu caro. Poucos filmes são tão ruins quanto o terceiro X-Men. Talvez “Mortal Kombat 2”. Mas confesso que não é uma boa despedida para a franquia – agora, nas mãos do camundongo Mickey, X-Men pode tomar um outro rumo já que foi anunciado por Bob Iger, CEO da Disney, que a franquia passa a integrar o MCU (Marvel Studios’ Cinematic Universe).

Não é tão bom quanto ‘Logan’ ou ‘X2’, mas é muito melhor do que o horroroso ‘X-Men: Apocalypse’.

Philip De Semlyen – Time Out
Saga Fênix Negra

Desde os eventos de “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”, o roteirista Simon Kinberg mostrou interesse em recontar a história da Fênix Negra. Na versão de Ratner em 2006, a história dela era mais uma entre outras no filme que reforçava a caça e cura dos mutantes para o bem de toda a raça humana e não havia o elemento intergalático presente no arco original dos quadrinhos. Mas, Kinberg peca em não querer trazer algo de novo para a história. Claro, há o elemento extraterreno que possui Jean Grey, diferente da dupla personalidade de 2006, mas o arco das duas versões parecem bem parecido com memórias suprimidas e um duelo na porta de casa. Parece que Kinberg gostou da primeira versão, mas quis alterar apenas algumas coisas – trabalho preguiçoso. E os produtores, diretores, roteiristas assumem que há uma ligação, um sentimento de empatia entre público e personagem já que ela, Jean Grey, já apareceu diversas vezes na tela para se darem o trabalho de melhor essa conexão para esse filme. Jean Grey é o foco central desse filme, chega a ser quase um spin-off em que outros X-Mens estão presentes e acho que essa falta de cuidado com a personagem feriu um pouco a narrativa. Assumir que há uma conexão com um público porque ela já havia aparecido em “X-Men: Apocalipse” chega a ser leviano da parte deles, e acho também que aproveitaram a fama da atriz Sophie Turner para ajudar na tal empatia, resguardando-os de trabalhos na tela.

Doze filmes e quase duas décadas depois, a “Fênix Negra” surge das cinzas após o bobo “X-Men: Apocalypse” – não exatamente um pássaro livre de defeitos, mas melhor do que o antecessor.

Leah Greenblatt – Entertainment Weekly

Agora as comparações com a versão dos quadrinhos ficam restritas a “entidade cósmica” que possui Jean durante uma tentativa de salvamento em pleno espaço sideral e a vilã interpretada por Jessica Chastain, Vuk, um líder do povo D’Bari que teve seu mundo destruído pelo força cósmica que tomou posse de Jean Grey. E só. Não há Cristal M’Kraan, não há o Clube do Inferno, não há o império Shi’ar nem a imperatriz Lilandra. Claro que tudo isso num filme seria impraticável – seria mais longo que o último Vingadores, mas fica a dica para a Disney – olha aí mais uma série de filmes que pode ser bem construída e evoluir para uma Fênix Negra muito melhor quem sabe daqui dez anos? Um arco bem trabalhado como o dos Vingadores podia ter seu final com a Fênix Negra.

Um aspecto que deixou um gostinho não de “quero mais”, mas de “poderia fazer melhor, já que temos atores para isso” foi a química entre os personagens. A Fera de Nicholas Hoult e a Mystique (ou Raven) de Jennifer Lawrence é ótima assim como a breve aparição de Evan Peters como Mercúrio e a querida ingenuidade de Kodi Smit-McPhee como Noturno. Pela primeira vez, não tivemos raiva do bonzinho Scott Cyclope (Tye Sheridan) e queríamos ver mais de Magneto (porque Fassbender sempre arrasa). Mas ficou tão preso ao choro da Sansa … ops, Jean, que os outros personagens ficaram em segundo plano. Tudo bem, afinal, é um filme sobre a Fênix Negra, mas a química entre os atores e seus respectivos personagens nos deixou nostalgia pelo que vimos ao longo dos filmes que resultaram em Vingadores: Ultimato. É possível, como falamos no parágrafo anterior, de ter algo tão bom quanto porque material humano tem de sobra. Mas cadê roteiro para isso? Chega de preguiça, né? Fãs de X-Men merecem mais do que receberam (mais Primeira Classe, por favor!), ainda mais com uma Tempestade que tem muito potencial (Alexandra Shipp ARRASA!). Jessica Chastain cumpre seu papel de alienígena apática (por que precisa ser assim, gente?), mas só. Merecia algo mais desafiador também.

Outro ponto interessante do roteiro, e que quase fica em segundo plano devida as cenas de pancadaria e efeitos especiais, é o motivo dos X-Men. A grande batalha entre Xavier e Magneto sempre foi que ambos queriam a mesma coisa – Mutantes livres e a salvo -, mas por meios diferentes. Em “Fênix Negra”, Xavier é todo ego e isso é um ponto muito importante a ser debatido. Afinal, a linha entre herói e vilão, entre admiração e medo é tênue. Foi bem escrito e colocado, mas poderia ser melhor.

Romantização da HQ

E para a galera que quiser ler a romantização dos quadrinhos, a Marvel lançou no mês passado o livro em capa dura, X-Men: The Dark Phoenix Saga. A Marvel também vai relançar a saga completa em capa dura com a nova série Milestone no dia 9 de junho, domingo agora, o X-Men Milestone: Dark Phoenix Saga.

No fim das contas, “X-Men: Fênix Negra” não é um filme ruim, só mediano.

ps: Ah, e lancem logo os “Os Novos Mutantes”, Disney! Abril de 2020 tá loooonge.

por: R.S. Carone e Frini Georgakopoulos

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