Saiu das páginas Televisão

House of Cards – Quarta Temporada

A quarta temporada chegou à Netflix no mesmo dia em que uma nova fase da Operação Lava Jato colocava o mundo político brasileiro em polvorosa. A coincidência serve para nos lembrar que a realidade consegue superar a ficção com folga por aqui. Deixando o mundo real de lado, a quarta temporada começa exatamente onde a terceira nos deixou, ou seja, Frank Underwood (Kevin Spacey) em campanha para a reeleição, e Claire (Robin Wright) longe dele.

No primeiro episódio da primeira temporada, quando Frank descobre que não será nomeado para o cargo que queria, ele evita as ligações de Claire e fica incomunicável por nove horas. Quando volta para casa, ela fala: — “Fazemos as coisas juntos. Quando você me deixa de fora, entramos em queda livre.” — A quarta temporada nos lembra disso. Eles são uma dupla, um organismo que não sobrevive só com uma das partes. Frank e Claire metem os pés pelas mãos na terceira temporada porque foi cada um para um lado pensando apenas em si mesmos. A quarta temporada é sobre parceria, união e, principalmente, Claire.

A temporada começa com uma pequena disputa entre o casal e mostra a ambos que uma briga entre eles não é ganho para ninguém, que eles precisam encontrar um meio termo e seguir em frente. É nesse processo de reconstrução da relação e na negociação de novos termos que Claire Hale Underwood sai da sombra de Frank e começa a brilhar por si só. Mais do que isso, começa a mostrar todas as suas habilidades. Não é mais aquela mulher que no início da segunda temporada pede ajuda ao marido, quando uma foto sua feita pelo amante foi descoberta. Ela agora é a mulher que, em uma entrevista, na segunda temporada, explica porque não tem filhos, se vingando de seu estuprador, em uma trama montada em segundos e ao vivo. É a Claire da entrevista que se revela a cada novo episódio, a cada nova jogada política, a cada movimento do tabuleiro.

A temporada começa quente, com algumas reviravoltas, mas nada te prepara para o que acontece no episódio quatro. É ali, entre Dallas, Washington e uma negociação internacional, que se dá o tom dos 13 episódios. É quando o passado começa a voltar. Nas três primeiras temporadas, os Underwoods e os espectadores só olhavam para frente e eliminavam quem entrava no caminho. Não nestes novos treze episódios. Aqui muitos fantasmas retornam; até mesmo Oren, político da cidade natal de Frank, ressurge. É como se o universo da série estivesse consolidado o suficiente para que os roteiristas pudessem brincar com eles, trazer personagens esquecidos, retomar antigas animosidades, nada do que vimos nos últimos 38 episódios está fora do jogo e isso é maravilhoso.

Sem contar spoilers, digo apenas que no terceiro episódio vemos como Claire também é boa de jogo. No quarto nos apaixonamos por ela, como nos apaixonamos por Frank na primeira temporada. Daí em diante o palco é dela, todo dela. Frank está lá, mas é mais um coadjuvante de luxo do que qualquer coisa. As cenas dos dois ensaiando os diálogos para reuniões é a síntese do que o casal é. São muitas as reviravoltas nessa temporada e eu não quero acabar com as surpresas aqui. Só digo que o último episódio termina de forma maravilhosa e que faz com que o espectador queira que a quinta temporada, já confirmada, comece amanhã. Que venha o caos, o terror e a guerra.

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