Metrópole à beira-mar

Os do Ruy Castro sempre entram na minha lista, livros do Ruy Castro falando do rio de janeiro entram na lista e furam fila para serem lidos, sempre. “Metrópole à beira-mar” é um retrato do Rio de Janeiro na década de 1920, ou pelo menos, deveria ser.

No inicio do século passado o Rio ainda era capital da república, a cidade era o centro do poder político e porta de entrada do Brasil. Mesmo com toda a política que circulava por aqui Ruy foca na cena cultural da cidade, fala sobre o teatro, a música, a literatura e o jornalismo.

Começamos o século com Primeira Guerra Mundial e a gripe espanhola. A armas e o vírus mataram muitos pelo mundo e o livro começa a engrenar mesmo no carnaval de 1919, o carnaval após da gripe. Daí em diante Ruy fala sobre os personagens que mudaram a cidade, a cena cultural brasileira e fizeram do Rio de Janeiro uma grande metrópole.

Pelas páginas vemos a cidade descobrir o mar e as praias, o futebol deixar de ser um esporte de elite e se tornar popular, o samba do Estácio virar o Samba, assim mesmo com letra maiúscula.  É uma viagem a um Rio de Janeiro quase idílico que há muito se foi e talvez nunca tenha existido nos contornos traçados por Ruy. É quase uma cidade idealizada. Para os cariocas como eu pode gerar uma nostalgia de algo que nunca vivemos ou uma tristeza com tudo o que perdemos ou destruímos em cem anos.

Os personagens literários são os mais explorados e com isso a minha lista de leitura cresceu substancialmente. Depois de ler sobre Theo-filho, Julia Lopes de Almeida, João do Rio e tantos outros dá uma vontade danada de parar de ler o Ruy e ir conhecer cada livro, cada conto, cada reportagem citada no livro. Talvez isso seja um problema de bibliófilos como eu, não sei bem. Sei que minha lista de livros e textos a buscar e ler em 2020 está cheio de expoentes da literatura nacional dos anos 1920. Só isso já faria desse livro uma leitura extremamente proveitosa.

É mais do que uma década narrada por Ruy nas pouco menos de 500 páginas. É uma viagem no tempo para ver transformações de um inicio do século. É impossível não comparar com os primeiros 20 anos do século XXI e ver os contrastes. No século passado foi um tempo de evolução social, de mudanças de costumes, agora temos a volta de moralismo que, em certa medida, seria execrado em 1920. O livro termina com a chegada de Getúlio no poder e, com ele, uma nova era se instalava no Rio e no Brasil.

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