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O Centenário de Isaac Asimov

Dois de Janeiro é o Dia da Ficção Científica, e a data foi escolhida por ser o aniversário de Isaac Asimov. Ele é talvez o autor mais popular da história do gênero, e para muitos suas histórias serviram como porta de entrada. Foi o meu caso, quando encontrei “Eu, Robô” e “Fundação” na estante do meu avô. De repente um universo inteiro se abriu pra mim. 

O maior mérito de Asimov (assim como os contemporâneos Heinlein e Clarke) foi transformar a ciência em aventura, sem pra isso precisar sacrificar a credibilidade. Asimov não tinha um estilo literário muito trabalhado: não esperem grandes floreios ou passagens rebuscadas. Em vez disso, tinha uma prosa utilitária e direta, que primava pela clareza. Acima de tudo era um ferrenho defensor da Ciência e da Razão, contra o obscurantismo, a ignorância, o egoísmo, a mesquinharia dos políticos. Por isso, em tempos em que é comum vermos a ciência sendo questionada e negada por teorias estapafúrdias, vale muito a pena redescobrir algumas das obras mais marcantes dele.

Nascido na Rússia e criado nos Estados Unidos, Asimov se interessou cedo pelas revistas de ficção científica que o pai vendia na loja de conveniências. Começou a se corresponder com outros fãs, que como ele se tornariam escritores. As cartas com comentários que mandava para as revistas também chamaram a atenção dos editores. Até que aos 19 anos conseguiu vender o primeiro conto. E logo, num período extremamente fértil, com pouco mais de 20 anos publicou obras que transformaram a Ficção Científica.

Em 1941, publicou o primeiro conto da série reunida mais tarde em “Eu, Robô”. Até então, seres mecânicos geralmente eram vistos como uma ameaça à humanidade. Mas para Asimov, era uma simples questão de programação. Para resolver os possíveis conflitos, elaborou as Três Leis da Robótica, que estabeleciam as prioridades: primeiro, proteger os seres humanos; segundo, obedecê-los (desde que não fizesse mal a outro), e só por fim proteger a si mesmo. Simples. Mas é uma formulação que até hoje influencia as pesquisas com inteligência artificial no mundo real. 

No mesmo ano, instigado por uma sugestão do editor John W. Campbell Jr, escreveu o clássico que é até hoje considerado por muitos o maior conto da FC de todos os tempos: “O Cair da Noite”. Campbell queria saber como reagiria uma sociedade num planeta rodeado de sóis, num dia quase eterno – de modo que só num alinhamento raríssimo a cada dois mil anos o céu escurecia – e as estrelas enfim surgiam. Asimov levou a ideia às últimas consequências – imaginou o desespero das pessoas que de uma hora pra outra se deparavam com a imensidão do Universo. Um final cataclísmico no confronto entre ciência e superstição.

E poucos meses depois, em Maio de 1942, publicava o primeiro capítulo do que seria a sua obra máxima, a série Fundação. Num futuro distante, um cientista prevê com exatidão o colapso do Império Galáctico, seguido de milênios de decadência, guerras e barbárie. Para reduzir essa era de trevas, Ele estabelece duas Fundações em pontos extremos da galáxia, para preservar o conhecimento e fazer avançar a recuperação da civilização humana. É um épico em que as grandes batalhas são travadas no campo das ideias.

E Asimov ainda tinha apenas 22 anos. Depois vieram romances como “As Cavernas de Aço” (parte da série dos robôs) e “O Fim da Eternidade” (uma das melhores histórias de viagem no tempo). Nos anos 1960, deixou de lado a ficção para se dedicar à divulgação científica. Brilhou também nisso, tendo publicado 470 livros. Nos últimos anos de vida, tratou de escrever livros que unificaram as duas séries principais, Fundação e os robôs. Hoje algumas coisas podem parecer ultrapassadas (as mulheres não tinham papéis de muito destaque). Morreu em 1992 depois de contrair o vírus HIV numa transfusão de sangue. Mas as ideias e a dedicação à ciência continuam a nos inspirar.

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