Livros Resenhas

O Jogador, de Iain M. Banks

Há uns três anos, quando montamos a Biblioteca Essencial da Redação do Cheiro de Livro, indiquei um livro que deve ter feito muita gente coçar a cabeça: Use of Weapons, de Iain M. Banks. O escocês era conhecido aqui apenas por seu romance de estreia, o perturbador Fábrica de Vespas (Darkside, Leandro Durazzo, trad.), em que mergulha na cabeça de um jovem psicopata. Mas os livros de ficção científica (sempre assinados com a inicial “M.” no meio para diferenciar), ainda eram inéditos aqui. 

Pois agora acabou a espera. A editora Morro Branco começou a publicar a série A Cultura, partindo do segundo volume, O Jogador (trad. Edmundo Barreiros). É o mais elogiado pela crítica, e um ótimo ponto de entrada, ainda mais que a série quase toda pode ser lida fora de ordem (alguns eventos de Excession, o quinto volume, são mencionados em histórias posteriores).

A Cultura é uma utopia pan-galáctica avançadíssima, guiada por Inteligências Artificiais benevolentes, onde não falta nada, e todos são felizes… ou quase. Jernau Morat Gurgeh é um jogador quase imbatível, qualquer que seja o jogo, e por isso mesmo entediado. Ele acaba manipulado pelas inteligências artificiais a aceitar uma missão para Circunstâncias Especiais – o “serviço secreto” da Cultura que lida com civilizações agressivas. Ele é enviado então para o Império de Azad, para disputar um mega-jogo que serve como determinante de hierarquia e posição social em Azad. Tanto o jogo em si como seus objetivos e resultados são ultra-complexos, e Jernau sofre para aprender todas as suas nuances. Aos poucos vai percebendo que o jogo é muito mais importante do que parece, e que ele mesmo é uma peça num jogo maior.

Iain M. Banks (1954 – 2013)

À medida em que o jogo avança, Banks vai aos poucos desvendando o que está por trás de tudo, até a fase final. Ele dosa o suspense com a fina ironia que é um de seus principais traços. O crítico Damien Walter é quem melhor resume: o grande mérito de Banks é criar histórias de dimensões galácticas sem perder de vista o indivíduo. As histórias da Cultura têm sempre esse lado humano: sentimentos de perda, auto-descoberta e renascimento.

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