13 Reasons Why

“13 Reasons Why” teve reações tão positivas na Redação que escrevemos uma resenha coletiva

Por Frini Georgakopoulos e Carolina Araujo Pinho

Esse post contém spoilers do livro e do seriado. Sinta-se avisado.

Suicídio é um desses temas que não sai no jornal. É proposital. Os jornais, não só daqui, têm essa regra de não noticiar suicídios, tem a ver com respeito aos mortos e suas famílias e também com não incentivar a ideia. O problema com esse silêncio sobre o tema é a falta de debate e esclarecimento do que leva pessoas a esse extremo, como reconhecer que pessoas precisam de ajuda e, principalmente, o enorme preconceito que existe com doenças mentais. “13 Reasons Why” (veja o trailer) joga luz nesse debate e constrói uma narrativa ao mesmo tempo viciante e difícil de assistir.

Uma leve pincelada da história: Hannah Baker, uma adolescente de 17 anos, se mata e deixa sete fitas K7 gravadas com as razões que a levaram a cometer suicídio. Nós ouvimos o relato junto com Clay – seu colega de turma e que era apaixonado por ela (embora ela não soubesse) – e vamos vivendo entre o passado e o presente, vendo o desenrolar dos acontecimentos e suas consequências.

Clay é o típico bom moço nerd que existe em qualquer escola, em qualquer país. Ele não é o popular e não é alvo, essas características são fundamentais para que ele possa nos guiar pela história de Hannah. Existem cinco estágios do luto, é um modelo chamado Kübler-Ross, são eles: Negação; Raiva; Negociação; Depressão e Aceitação. Durante os 13 episódios da série passamos por todos eles junto com Clay. E cada um nos fere mais profundamente do que o outro.

A produção é baseada no livro “Os 13 Porquês”, de Jay Asher. É o perfeito exemplo de que uma adaptação pode ser fiel ao livro enquanto tema e caracterização, mas não ter exatamente cada cena. A série traz muito mais profundidade em cada personagem e tem um final muito mais alinhavado do que o livro. Isso quer dizer que é melhor ou pior? Não, quer dizer que o respeito às diferenças de mídias foi mantido. E ela é tão boa que os livros estão sumindo das prateleiras das livrarias – virtuais e físicas. E isso é sempre bom.

O que nos levou a assistir a série foi o livro, que uma de nós tinha lido e a outra não. A narrativa da série, sua montagem, excelente direção, roteiro e atuações nos tocaram profundamente. O conjunto nos fez passar aos extremos com os personagens, odiados em um momento, amados no seguinte. Queríamos abraçar e dizer que tudo ficaria bem. Assim como os personagens julgamos Hanna por não ter pedido ajuda (mas ela pediu!), por estar em festas que ela não deveria estar (mas ela era uma jovem! Por que não estaria lá?)… são tantos exemplos. E não julgamos só Hanna, mas todos os “porquês” dela também.

Precisamos falar sobre suicídio, sobre doenças mentais porque, sim, Hanna não tirou sua vida por causa dos 13 “culpados”, mas sim porque sofria depressão e sua doença não a permitia lidar da melhor forma com esses 13. Então eles trilharam uma espiral de desespero que a levou à última saída. À pior delas porque não tem retorno, não tem volta.

Depressão e transtorno bipolar são doenças, mas bullying e slut shaming são questões sociais que podem ser quebrados e punidos. Estupro é crime. Existem tantos, tantos jovens e adultos que passam por tudo isso em suas vidas …. o suicídio não precisa ser o fim da linha. Vamos ser mais gentis com cada um, vamos julgar menos, comparar menos. Só porque você não sente, não quer dizer que a dor do outro seja insignificante. Empatia, respeito, atenção são de graça. Vamos compartilhar isso. Como é dito várias vezes na série cada um tem a sua verdade e ninguém sabe o que o outro está passando.

Além dos excelentes 13 episódios, está disponível no Netflix também um mini documentário com atores, equipe técnica, autor e especialistas sobre a série, sobre o que queriam passar e sobre os temas que citamos. Ele complementa o porquê dos “13 Porquês”. Assistam de coração aberto. Vai doer, mas precisa doer para entendermos que podemos ser melhores e que não estamos sozinhos.

13 porquês para assistir a 13 Reasons Why

  1. Para entendermos que “aquela menina” tem sentimentos e não é um objeto;
  2. Para notarmos que uma menina malvada não precisa ser loira e magra. Ela pode ser asiática e gay e ainda assim ser má;
  3. Para tentarmos ser um pouco mais generosos como Tony – que é latino, sem tanta grana e também gay e tem o carro mais maneiro do mundo;
  4. Para fincar nas nossas mentes que depressão é uma doença silenciosa e não frescura;
  5. Para entendermos que bullying – físico, psicológico ou por internet – machuca profundamente a vítima e os que a cercam;
  6. Para lembramos que nem sempre sabemos a luta que o outro está enfrentando. Não devemos julgar;
  7. Para chamar a atenção para o fato de que o cara mais rico, mais bem sucedido e mais bacana é um sociopata estuprador e que isso é crime;
  8. Para desmitificar estereótipos: a protagonista não veste 38, as chefes de torcida são negras e o criminoso é branco;
  9. Não é não e qualquer indicação de Não também é Não;
  10.  Mulheres não são objetos. Não é porque o cara te empresta dinheiro que você empresta a sua namorada, que btw está desacordada e indefesa;
  11.  Para aprendermos que a menina tatuada, com piercing e revolts tem bom coração e está passando por situações complexas. Não julgue. Seja gentil;
  12.  Para mantermos a atenção em nossos pais e em nossos professores e deixar claro que precisamos de ajuda;
  13.  Para sermos melhores uns com os outros.

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2 pensamentos em “13 Reasons Why”

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