Cinco Escritoras Fantásticas que Você Precisa Ler

Ou: que você poderia estar lendo, se já tivessem sido publicadas por aqui… Fica a ideia: vamos nas redes sociais das editoras que mais publicam Ficção Científica e Fantasia por aqui, e vamos pedir pra trazerem essas autoras que são a prova de como as mulheres estão renovando a literatura fantástica.

Kelly Robson

Desde 2015 a canadense tem colecionado indicações aos principais prêmios do gênero. E escreve bem tanto na ficção científica, quanto na fantasia e no horror, e cada conto é completamente diferente do anterior. Em Waters of Versailles, um aventureiro encanta os nobres na côrte de Luís XV com a água encanada no palácio de Versalhes. O que ninguém sabe é que a origem da água é uma criatura mágica que ele mantém escravizada no porão. The Human Stain é uma bizarra e arrepiante história de terror gótico que ganhou o prêmio Nebula. Este ano, ela deu um passo maior com uma obra mais longa, Gods, Monsters and the Lucky Peach. Numa Terra em que a superfície já não é mais habitável, uma expedição ao passado busca na antiga Mesopotâmia, na região dos rios Tigre e Eufrates, o conhecimento para recuperar o ambiente. Mas tem que enfrentar os guerreiros da época e as próprias rivalidades internas. Vai certamente figurar entre os melhores de 2018. Está amadurecendo, e escrevendo uma continuação.

Emma Newman

Emma Newman é inglesa, tem um podcast divertidíssimo e joga RPG nas horas vagas. Em Planetfall, de 2015, começou uma série que continua surpreendendo a cada volume. É a história de uma expedição que estabeleceu uma colônia num planeta distante, mas que guarda um segredo terrível. A personagem principal tem problemas mentais, e à medida em que Newman vai revelando o que aconteceu na chegada da expedição, vemos como é frágil uma sociedade baseada em mentiras. Tive uma pequena implicância com o segundo, After Atlas. É um mistério policial que começa com um assassinato, e é muito bem bolado. Mas o detetive protagonista não descobre nada – a solução do crime cai no colo dele… Em Before Mars, uma geóloga e artista plástica abandona marido e filha em troca de um emprego em Marte. Chegando lá, sente-se estranhamente deslocada e encontra um bilhete dizendo que não confie na psicóloga da estação – um bilhete escrito por ela mesma. É o começo de um mistério cheio de paranoia em que a sanidade mental da protagonista é posta em dúvida. É também o mais pessoal dos três, na medida em que Emma Newman lida com a depressão pós-parto que ela sofreu na vida real. Brilhante, um dos melhores de 2018.

Charlie Jane Anders

Charlie Jane Anders não é uma novata, mas agora parece que resolveu se dedicar de vez a escrever ficção. E, milagre, já foi publicada aqui no Brasil! Fundadora, junto com a companheira, Annalee Newitz (outra que vale conferir) do site io9, Charlie é trans e milita em causas LGBT. Mas esse não é o tema do seu primeiro romance, Todos os Pássaros no Céu (Morro Branco, trad. Petê Rissatti). Um menino e uma menina que têm poderes especiais se envolvem na infância e vão se reencontrar anos mais tarde, numa rota de colisão que pode ter consequências trágicas. É ao mesmo tempo um confronto entre razão e emoção, entre magia e ciência, fantasia e ficção científica. Mês que vem ela publica The City in the Middle of the Night: num planeta em que metade é permanentemente iluminada pelo sol, enquanto a outra vive na escuridão, os moradores lutam para sobreviver na faixa intermediária. Uma jovem rebelde é exilada para o lado escuro, e a aliança que ela faz com os seres que vivem na região gelada pode transformar a vida no planeta.

Aliette de Bodard (foto: Lou Abercrombie)

Aliette de Bodard é francesa/vietnamita – mas nasceu nos Estados Unidos. Essa mistura gerou uma obra altamente original de variada. Tem uma trilogia (Obsidiana e Sangue/ Obsidian and Blood), ambientada no Império Asteca. Tem uma série (Domínio dos Caídos/ Dominion of the Fallen) ambientada numa Paris do futuro, arrasada por uma guerra entre magos e anjos caídos. São vários contos e três livros – The House of Shattered Wings / The House of Binding Thorns / The House of Sundering Flames (este sai lá fora no segundo semestre). Tem as aveturas espaciais no universo Xuya, um império espacial moldado na cultura vietnamita, com vários contos e novelas, entre elas The Tea Master And the Detective, que é um mistério inspirado em Sherlock Holmes. Agora, em In the Vanisher’s Palace (que não faz parte de nenhuma série), ela reconta a história da Bela e da Fera com base no folclore vietnamita. E a Fera é um dragão fêmea. É maravilhoso.

Nina Allan (foto: Diana Patient)

A britânica Nina Allan tem impressionado com histórias intimistas de personagens que enfrentam traumas do passado. Em Spin ela atualiza o mito grego de Aracne, a tecelã transformada em aranha pela deusa Atena. A tocante The Art of Space Travel teve o meu voto pro Prêmio Hugo de 2017 (acabou perdendo). A camareira de um hotel em que estão hospedados os astronautas na véspera de uma missão a Marte descobre que tem uma ligação pessoal com a missão de 30 anos antes, que acabou em tragédia. No segundo romance, The Rift, uma mulher Uma mulher reaparece 20 anos depois de ter desaparecido e ter destruído a vida da família. Ela diz à irmã que foi abduzida por alienígenas. O título poderia ser traduzido como A Separação, e o livro examina as maneiras como lidamos com uma perda. Acima de tudo, é sobre como reconstruímos e reescrevemos a nossa própria memória, e como podemos ser narradores não-confiáveis das nossas próprias histórias de vida. Tem um terceiro romance, The Dollmaker, saindo em abril.

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