E o Vento Levou (1939)

As God is my witness, as God is my witness they’re not going to lick me. I’m going to live through this and when it’s all over, I’ll never be hungry again. No, nor any of my folk. If I have to lie, steal, cheat or kill. As God is my witness, I’ll never be hungry again!

Por algum desses motivos estranhos da vida esse é um monologo que sei de cor, não me perguntem porque, só sei que sei. “E o vento levou” tem esse poder comigo, me fascinou desde a primeira vez que eu vi em um longínquo Corujão na década de 1980, quando o Corujão só passava grandes clássicos hollywoodianos e eu passa as madrugadas na frente da TV até a programação sair do ar (sim, existiu um tempo em que os canais de tv saiam do ar).

Scarlett O’hara, a guerra de secessão e o declínio do sul é uma saga que não deixa ninguém indiferente, tem os que amam e os que odeiam. O filme dirigido por Victor Fleming é um clássico com C maiúsculo, uma grande produção e uma das maiores bilheterias de todos os tempos. Foi uma produção atribulada, demorou-se muito para encontrar uma Scarlett que fizesse jus ao que Margaret Mitchell colocou nas páginas de seu livro. A busca acabou quando a inglesa Vivien Leigh incorporou a menina mimada que cresceu em Tara e que, com a guerra, transforma-se em uma sobrevivente.

Considero “E o Vento Levou” uma das melhores adaptações de livros que já vi. Nos mais de 220 minutos de produção está quase tudo lá, página a página. Scarlett é descrita exatamente como Leigh, com os olhos azuis, os cabelos pretos, é um desses casos de escalação perfeita. Não se pode dizer o mesmo de Clark Gable e se Rhett Butler. É verdade que Gable era o maior galã da época, mas nada é mais distante da descrição do livro do que o Rhett das telas. Mesmo assim Leigh e Gable tem química nas telas e formam um dos grandes casais que todo mundo queria que ficassem juntos nas telas de cinema. Ver a história desses dois dá saudade de um tempo em que o cinema não vivia só de finais felizes, grandes tempos.

Toda a transformação de Scarlett, o incêndio de Atlanta, a fome, a destruição do mundo em que ela cresceu e sua adaptação e sucesso ao mundo que se transforma é quase como um romance de formação e tem um quê bem contemporâneo. Que outros filmes da década de 1930 mostravam mulheres tão fortes como Scarlett? Um mulher que em meio a guerra se reconstrói, sai da fome para a riqueza por seus próprios méritos. É bem verdade que ela é meio idiota com todo aquele amor por Ashley e seu desprezo por Melanie. Ela não é uma heroína comum, definitivamente.

Teve um tempo, ali pelo final do século passado, que as quase 3 horas de filme assustavam o espectador. Esse tempo passou, os filme ficaram mais longos e “E o vento levou” passou a ter uma duração aceitável. É preciso relevar o fato de que ele foi feito em 1939, tudo é cenário e dá para perceber que é cenário; as atuações são bem próximas ao teatro e os efeitos especiais são inexistentes, mesmo assim vale cada minuto. Sempre vale retornar para Tara.

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