Fahrenheit 451

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Ficção cientifica não é o tipo de livro que leio muito. Ray Bradbury é um autor conhecido por sua obra nesse gênero e por isso sempre ficou meio a margem da minha pilha de livros a serem lidos.  “Fahrenheit 451”é um livro que entrou no meu radar pelo filme, a adaptação feita por François Truffaut do romance, e por uma questão de uma prova de física em que me dei muito mal. É um daqueles clássicos que estão na minha lista mental de livros que tem leitura obrigatória e quando encontrei uma bonita edição da Editora Globo no selo Biblioteca Azul resolvi embarcar na leitura.

A primeira impressão que fiquei ao terminar de ler foi que esse livro deveria fazer parte de um trilogia que começaria com “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, depois “1984” de George Orwell e terminaria com “Fahrenheit 451”. São os clássicos das distopias literárias. Dois deles falam sobre um mundo em que a felicidade é uma forma de controle, dois deles criticam a TV, e todos falam que os avanços da ciência podem ser perigosos. Essa é uma visão um tanto quanto simplista da magnitude destes três livros, mas é apenas para mostrar os alguns pontos que conectam as três obras.

O cenário montado por Bradbury nos mostra uma sociedade americana em um futuro não muito distante, vemos tudo pelos olhos do bombeiro Montag. Nesse futuro bombeiros são responsáveis por atear fogo e não de apaga-los. São eles, os bombeiros, responsáveis por queimar livros, os livros não são mais permitidos. Livros trazem infelicidade no universo de Montag.

Somos apresentados a uma ditadura onde não houve um golpe, a sociedade resolveu abolir a controvérsia. A felicidade é obtida por não se ter tempo para pensar, para refletir, eles são bombardeados por muita informação, não necessariamente alguma informação que valha ser absorvida, apenas situações, cores, sons. Tudo é tão rápido e tanto que é impossível refletir sobre o que  está acontecendo a sua volta. Há tanta informação que é impossível distinguir o que é valido. Algum paralelo com o mundo da informação em que vivemos hoje?

“Fahrenheit 451” é um tratado sobre o poder da palavras, dos livros. Montag é despertado para o mundo por uma adolescente. Clarisse gosta de andar, observar o mundo e questionar, é da natureza dos adolescentes questionar e é essa qualidade que desperta Montag para o mundo em que vive. Não que Montag estivesse completamente adormecido, ele vinha salvando livros muito antes de conhecer Clarisse, mas é ela que o desperta para a necessidade de lê-los. Há sempre os defensores dos livros e aqui eles são mais sofisticados e ao mesmo tempo voltam aos primórdios. Eles decoram os textos e passam seu conhecimento verbalmente, nada mais primordial do que a tradição oral.

A critica a TV como instrumento alienante e incapaz de transmitir algo de bom é enorme. A telinha tem seus problemas, mas hoje quando o cinema necessita tanto de altas bilheterias é na TV que estão as melhores histórias. Qualquer pessoa que acompanhe ou acompanhou “The Wire”, “Battlestar Glactica”, “Sopranos”, “Breaking Bad”, “Homeland”, “Mad Men” e tantos outros sabe do que estou falando. Bradbury acerta na sua previsão da sociedade feliz e consumista. A ditadura da felicidade é mesmo bem mais eficaz do que a do medo.

No posfácio Ray Brabbury fala sobre o tempo e o processo de escrita do livro, fala de outras historias que escreveu e tudo automaticamente entrou na minha lista para serem lidos. Eu deveria ter lido “Fahrenheit 451” quando li Orwell e Huxley, seria o complemento perfeito.

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4 pensamentos em “Fahrenheit 451”

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