Getúlio (1882-1930)

Adoro uma boa biografia e inspirada no desafio de leitura de 2015 fui buscar uma pra ler. Tenho uma longa lista de boas biografias de pessoas que eu admiro ou tenho curiosidade para ler, mas optei por uma de uma figura histórica por quem tenho uma enorme pinimba: Getúlio Vargas. Sou dessas que não entende como alguém que foi ditador por 15 anos pode receber homenagens e estatuas até hoje no Brasil. Para embasar a minha implicância me lancei na jornada de ler os três volumes da biografia de Vargas escrita por Lira Neto. Aqui falarei apenas do primeiro volume.

Meu conhecimento de Vargas era aquele que se adquiri no colégio, ou seja, bem mais ou menos. Lira Neto começa na infância de Getúlio e vai construindo a imagem de Getúlio aos poucos, com cuidado e repleto de referências, é um delícia. A infância em São Borja e os primeiros anos de formação como estudante interessam menos do que o panorama politico nacional. Julio de Castilhos, Borges de Medeiros e a política Sul Rio Grandense são essenciais para se entender Getúlio e, mais do que isso, entender o Brasil naquele tempo e hoje. Foi nessas primeiras paginas que já fui fisgada pelo livro, conhecer melhor a historia do Brasil deveria ser obrigatório e é isso que esse livro acabou fazendo comigo.

O livro me fez entender melhor o Brasil. Na nossa bandeira temos uma frase positivista “Ordem e Progresso”, positivismo esse que tinha como seu fundado Auguste Comte. Comte é autor da frase “Toda escolha dos superiores pelos inferiores é profundamente anárquica”, não um bom pressagio para a democracia. No Brasil as teses de Comte vão ganhar tintas nacionais e Júlio de Castilhos vai reinar no Rio Grande do Sul com eleições sem voto secreto e massacrando a oposição. Vargas vai crescer nesse ambiente e vai adentrar a vida publica no governo Borges de Medeiros e seguia a risca o caminho trilhado por Julio de Castilhos.

Nesses primeiro anos de vida pública Getúlio se presta aos desmandos de Borges de Medeiros, ou seja, dá aquela ajuda para legitimar eleições fraudulentas que perpetuam o seu partido no poder. Mesmo nesse começo Vargas já mostra a sua faceta de ótimo politico, de conciliador, de um interlocutor que mais ouve do que fala, que consegue agregar. Getúlio começa a ser mais quando vem para o Rio de Janeiro, então capital, e torna-se líder da bancada gaúcha. É nesse momento que começa a mostrar com mais clareza todas as suas qualidades de politico. É nesse momento que torna-se Ministro da Fazenda de Washington Luis.

A parte final desse primeiro volume é toda dedicada a campanha eleitoral de 1929, quando Getúlio, a frente da Aliança Liberal, se lançou candidato a presidência contra o candidato da situação Júlio Prestes. Estou simplificando bem a situação histórica que passa pelo rompimento da política do café-com-leite e uma certa prepotência do presidente Washington Luis. É nesse momento que o livro se torna ainda mais envolvente, as tramas que desembocaram na revolução trinta, as idas e vinda políticas de Getúlio, é um período riquíssimo de nossa historia.

Tenho que admitir que vários nomes de rua (Mena Barreto, Borges de Medeiros, Olegário Maciel, Washington Luis etc) passaram a ter novos significados para mim e, muitas vezes, nada bons. Se comecei a ler esse livro com pinimba de Getúlio, terminei esse primeiro volume achando o Washington Luis um idiota. É claro que falo do conforto de quase 100 anos de diferença, mas Luis fez o que Maquiavel já tinha explicado ser um grande erro: tripudiou do adversário derrotado e o deixou sem nenhuma outra alternativa. Getúlio não estava muito a fim de fazer revolução nenhuma, mas o governo federal deu uma ajuda a um levante na Paraíba que levou a morte de João Pessoa, candidato a vice presidente na chapa com Getúlio, e aí as tramas revolucionárias ganharam corpo.

Mais do que conhecer mais sobre Getúlio e , até o momento, manter a minha pinimba, o livro de Lira Neto me apresentou todo um panorama político do Brasil na Primeira República, uma aula de história como não tive nos meus anos de estudo. Agora é começar o segundo volume, o que mais me interessa, que fala sobre o governo provisório e o Estado Novo.

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